Papel namoro

Muitos problemas mentais

2020.10.10 10:04 biel2907 Muitos problemas mentais

Boa madrugada, ou nem tão boa assim... Pra você que vai ler o que vou dizer, entenda que sua mente tem que ser muito aberta, principalmente a perdão, e o que você vê como ser humano ou não...
Enfim, indo do passado ao presente, meus pais nunca tiveram um relacionamento muito bom, desde que eu me entendo por gente, e estou falando disso porque é o que eu penso que pode ter provocado algo em mim do que vai vir a seguir... desde que eu me entendo por gente eles sempre brigaram, meu pai é muito mulherengo e minha mãe era bem menos "fogosa" que ele, e o casamento não deu muito certo, nunca vi meu pai bater nela, mas a pior briga que eu já vi foi ele ameaçando bater nela, mas isso nunca aconteceu, e eu não queria que eles terminassem de jeito nenhum até os meus 14/15 anos mais ou menos, pra mim era como se fosse o fim do mundo, depois eu entrei em uma escola técnica/ensino médio e vivia lá porque era muito tempo estudando e em uma cidade vizinha, conheci uma garota 2 anos mais velha que eu, foi a primeira pessoa que fiquei e assim que ficamos a primeira vez ela me pediu em namoro eu aceitei, não sei bem porque, mas foi indo, meu pai foi pra são paulo trabalhar porque tinha mais oportunidade (sou do rio de janeiro com minha mãe) e vinha as vezes 1 ou 2x por mês só visitar a gente, então o casamento foi só piorando... mas meu pai já tinha traido minha mãe antes e ela "perdoou" uma vez. Agora entra outro problema, eu não sei o porque, mas eu comecei a exercer um relacionamento tóxico/abusivo com essa garota que eu namorava, ela fazia tudo por mim me amava de verdade, e eu não conseguia confiar de jeito nenhum! E eu fui doente demais, fiz ela passar por coisas horriveis, a mãe dela controlava ela também, e eu também, e acabei brigando com a mãe dela (só discussão), enfim, mas a minha namorada foi a que mais sofreu, sério, são coisas terriveis, durou 4 anos nosso namoro, mas eu só ia piorando nas humilhações a ela,principalmente quando terminei a escola e fui pra faculdade em outra cidade, já fiz ela passar papel higienico no rosto, etc, inclusive já cheguei a agredir ela fisicamente (especificamente dei um tapa no rosto, não foi forte pra deixar marca nem nada disso, mas mesmo assim é TOTALMENTE errado, e eu nunca mais quero repetir algo do tipo), durante esse tempo meu pai engravidou outra mulher em SP minha mãe descobriu e eles finalmente terminaram (e eu agradeci por isso, não aguentava mais o relacionamento deles), uns meses depois a minha ex namorada finalmente se ligou com a ajuda das amigas dela e etc, e eu acabei terminando com ela por uma besteira minha e ela não voltou mais, e cortamos o contato dali, a partir daquele momento eu fui instantaneamente pro psiquiatra/psicólogo e comecei a frequentar bastante, eu passava mal durante meu relacionamento também por ansiedade de vomitar, ter caimbra no corpo todo, entortar ir pro hospital etc, isso já aconteceu varias vezes, eu acordava assim, em viagem de onibus sozinho, e era duro pras pessoas perto de mim ver aquilo, mas meus pais não gostavam de médicos de saúde mental, e só depois de tudo isso que eles resolveram que eu "deixar" eu ir. Eu ia bem na faculdade, porém nunca tive um sonho do meu curso em especifico, mas meu sonho era ter uma familia e só, nunca fui muuuito social, mas tinha uns amigos, até hoje tenho, depois que terminamos, eu não via motivo pra continuar na faculdade que pra mim era só pra dar um futuro pra minha familia que eu construiria, uma vez que fiquei sozinho perdi totalmente a vontade, tranquei voltei pra casa pra ficar com minha mãe, e ela também trabalha em algo bem simples e nunca teve vontade de melhorar na vida em questão de estuadr etc, e acho que acabei pegando esse jeito dela, mas é mais problema meu, n posso culpr os outros, hoje com 21 anos em plena quarentena com muito tempo livre eu não tenho emprego, não consigo lidar com os estudos EAD da faculdade (que tentei voltar) não tenho vontade, mas também não tenho vontade de fazer nada, eu queria um sonho, um motivo, algo profissional pra eu tentar aprender e melhorar, mas eu não consigo ter vontade de nada disso, chorei uma ou 2x e liguei pra uns amigos pra desabafar, mas sinto que já não tenho mais amigos pra isso... e também não adianta muito, porque eu quero uma solução, e acho que só tem como vir de mim, eu dei uma parada nos médicos mas já marquei psiquiatra/psicólogo novamente, tenho uma relação horrivel com meu pai desde então também, ele ja ameaçou brigar comigo e eu ameacei matar ele (falei da boca pra fora, bem eu acho) e tenho sonhos em que ele volta de SP pro RJ e sou obrigado a conviver com ele e é pertub ador, porque ele sempre foi uma pessoa mt grossa, e eu não sei mas tenho uma raiva guardada dentro de mim dele e não consigo lidar com isso, eu só queria esquecer q ele existe, mas sei que ele vai voltar aqui uma vez ou outra pra querer me ver, ver minha mãe, os pais dele q são meus vizinhos, etc. Enfim, a ansiedade eu consegui melhorar bastante com os remédios, os problemas de ser abusivo e tóxico eu falei tudo isso em diversas terapias, e acho que lido bem melhor hoje (só pondo a prática, eu namorei uma menina depois dessa mas foi por menos de 1 mes, foi bom pra nós apesar de ser curto kkkkk porque eu passei um tempo em SP assim que eu terminei o primeiro namoro, mas só piorou as coisas com meu pai lá e eu voltei e acabei terminando com a menina, na verdade foi bem consensual, ela gostou de mim mas também nem tanto pra namorar kk n tinha a magia, mas de verdade fui uma pessoa bem boa pra ela no tempo curto que tivemos e foi legal pra mim tentar me provar que melhorei mesmo que um pouco. Enfim é isso, não sei se pode ser curiosidade de vocês, mas eu me desculpei com minha ex 1 mes depois q terminamos, e ela tava bem melhor, acredito que possa ter buscado ajuda profissional depois de ter passado tantos problemas comigo, mas a ultima vez que vi algo dela, inicio desse ano (terminamos ano retrasado), ela aparentava estar bem, não nos falamos, eu até hoje me sinto culpado pelas merdas, mas isso n apaga o passado... enfim, eu to tentando reconstruir tudo, inclusive quero tentar esquecer isso com meu pai, mas primeiro preciso achar um futuro pra mim profissionalmente, e isso tá foda, porque preciso não depender mas da minha mãe, mas ajudar ela em casa que não é nada fácil nos dias de hoje...
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2020.09.17 09:51 LeMrGrilo 4 da manhã e eu caindo no mesmo vício de sempre

Eu tenho um vicio, algo que surgiu de uma trauma durante a infância, hj tenho 22 anos e desde os 17 eu busco ajuda e tento lutar contra isso.
Contwxtualizando, sou homem, e a pornografia e masturbação entraram na minha vida muito cedo, fui abusado sexualmente aos 9-10 anos por um primo, lá pelos 10 anos comecei a ouvir de colegas meus que "olhar pornô é coisa de homem" entao eu comecei a duvidar da minha sexualidade, por que toda vez q eu via porno eu acabava vendo que eu fiz o "papel" que a mulher fez e isso trazia muita duvida pra mim, porém como diziam que assistir era coisa de "homem" e eu sempre me identifiquei como heterossexual mesmo tendo essas duvidas, eu mergulhei nesse mundo da pornografia de cabeça, e me afoguei nesse poço sujo, grotesco e sem fim
Comecei a notar que eu tinha problemas com pornografia aos 15 anos, quando entrei pra igreja e tbm tive minha primeira namorada, eu tocava no louvor da igreja, e me sentia realizado por ter alguem do meu lado, mas na mínima frustração que eu tinha eu acabava mergulhado novamente nesse vicio, e a cada video, a cada masturbação as tristezas, as frustrações, tudo piorava ainda mais, muitas vezes me masturbava antes mesmo de subir para tocar no altar da igreja.
O namoro acabou, e eu decidi focar nos meus estudos, comecei a fazer um curso preparatório pra o concurso dos meus sonhos, porém a cada frustração com matérias, eu buscava na pornografia e na masturbação um alivio e só piorava, veio a primeira reprovação, a segunda, a terceira, se eu nao esqueci nenhuma já foram 15 reprovações somando 4 concursos diferentes, e nessas 15 eu sempre preso a esse vicio que me atrapalha, cheguei até me masturbar pouco antes da prova algumas vezes.
Desde os 17 eu venho tentando parar, já entrei pra inúmeros grupos de NoFap, tentei inumeras técnicas, desde banho gelado, em pleno inverno gaúcho, até autohipnose com videos do youtube, porem eu me sinto atolado, afundado até o pescoço numa lama densa, pesada, nojenta, e que me puxa mais pra baixo, eu ja estive, totalmente afundado, entregue, mas ainda quero um dia conseguir me livrar desse vicio.
Por favor, eu entendo que pode ter gente dizendo que masturbação é algo comum e saudável, mas pra mim não, é algo que ja me feriu que ja me causou e causa ainda tanta dor que eu quero extinguir da minha vida, já estou acompanhado de psicologo e ainda estamos vendo o que fazer sobre isso e uma namorada que entende e me dá suporte psicologico referente ao vicio, nao tenho mais duvida da minha sexualidade, hj sou tranquilo com isso tbm, porém ainda tenho esse vicio que ainda busco acabar com ele, desculpa o desabafo longo
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2020.08.31 03:30 LilyoLirio Sinto que é hora de terminar, não sei mais o que fazer, preciso da opinião de vocês

Preciso muito da opinião de vocês, as pessoas que são próximas não querem opinar na minha situação...
Estou em um relacionamento a 8 anos, com um cara mais velho e as coisas não mudam:
Depois de uns 4/5 anos de namoro, queria começar a fazer planos para morar junto/casar com ele. A resposta sempre foi a mesma: que ele queria muito, mas não tinha condições financeira, dependia de uma “promoção” no trabalho, para ganhar mais
Apoiei ele para correr atrás, incentivei, foi um período difícil, onde foi preciso abrir mão de tempo juntos e sair, para que ele estudasse e tivesse dinheiro para essa conquista. Depois de alguns anos, a promoção veio, mas os nossos planos não saíram do papel
Já tem dois anos que ele está ganhando bem mais, mas diz que nunca tem dinheiro, como se nada tivesse mudado! Não consegue financiar uma casa comigo, nem mesmo dividir um aluguel.
Chegamos a morar juntos, com a minha família, para ver se ele gostaria de morar na região onde moro. Ficou aqui com a gente UM ano e nunca ajudou com um centavo das contas, de vez em quando fazia uma compra e olhe lá.
Não sei mais o que fazer ou pensar. Já tentei ajudar com planejamento financeiro, nada. As vezes sinto que são só desculpas, que ele tá acomodado, ou que sustenta a casa dos pais (o que já foi motivo de discussão nossa) Ficamos a maior parte do tempo juntos e não vi nenhum indício de traição, não vejo como uma possibilidade
As vezes sinto que isso indica que chegou ao fim, afinal, não faz sentido manter uma relação se não sairemos disso
O que vocês acham? Me ajudem, por favor
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2020.08.22 02:27 Luizinguitar3 Não aguento mais lidar com merdas de terceiros que refletem até na vida pessoal de quem não tem nada a ver.

Minha mãe é uma pessoa que sempre estudou muito e fez de tudo para nunca precisar contar, financeiramente e/ou emocionalmente com a família que ela tem, no caso, a mãe, pai e irmã dela. Construiu uma carreira na área de química ligada a radiação, hoje é pesquisadora e, apesar de estarmos falidos por causa de terceiros, ganha bem.
Tudo foi bem na medida do possível, até que, em por volta de 2007, meu avô, pai dela e já idoso, foi preso num esquema criminoso aí que rolou (nada muito sério, tipo matar alguém, mas ainda assim crime) e ela teve que gastar boa parte da grana que ela não tinha com advogado para, além dele, minha avó e minha tia que era cúmplices de tudo.
Alguns anos depois dessa treta, minha avó, que não olhava na nossa cara há pelo menos uns 8 anos, oficialmente perdeu tudo que tinha e veio morar aqui em casa, que não é um lugar grande, e ficou quase 5 anos (de 2015 até o final de 2019) nos enchendo o saco, já que ela é uma pessoa extremamente ingrata e egoísta, fazendo com que pessoas que amávamos e que frequentavam nossa casa nunca mais nos visitassem e, de quebra, como tinha sido recém diagnosticada de um câncer, gastando mais dinheiro da minha mãe, porém não dizia nem um obrigado para nada. Uma vez minha mãe sofreu um acidente de carro, chegou em casa visivelmente machucada e ela só foi reparar 3 dias depois (e eram hematomas gigantes no pescoço e braços, ou seja, dá pra ver fácil). Mesmo não querendo e evitando demonstrar, minha mãe sofria muito com isso.
Nesse meio tempo, meu avô saiu da prisão e aí foi mais grana da minha mãe pra sustentar ele agora, que mora com a irmã dele, tia da minha mãe, e, de quebra, ainda teve que pagar dívidas absurdas da irmã dela, que nunca paga o que deve, não faz absolutamente nada para os pais e ainda é extremamente grossa e agressiva com a minha mãe. Entre 2007 e 2015, minha tia morou com minha avó e sentava a porrada nela (na época minha avó tinha entre 70 e 78 anos, ou seja, idosa), e mesmo assim é a filha favorita de ambos até hoje.
Pra coroar a treta toda, no final de 2016 meu pai, que mora com a gente, começou a demonstrar uns comportamentos estranhos e só esse ano (por volta de março se não me engano) finalmente um médico o diagnosticou com uma doença cujos sintomas casam com o que ele tem. Ela se chama demência fronto temporal e, se pesquisarem sobre casos, vão ver que a rotina da pessoa e das que convivem com ela mudam muito devido a isso. De quebra também, o gasto mensal aumentou muito, além de tudo, devido a necessidade de médicos, já que nosso plano de saúde que é o único que conseguimos pagar não ajuda em praticamente nada, e, pra coroar, o salário dele e da minha mãe caíram em mais de 50%. Se não fosse o auxílio emergencial e um auxílio que tô recebendo pela faculdade nem sei o que faria, já que também não ganho lá muita coisa pelo trabalho e, como sou autônomo, não tem como contar muito ainda mais nesse período.
Apesar de ser uma pessoa doce, inteligentíssima, tratar todo mundo bem, todo mundo gostar muito dela e admira-la bastante, inclusive eu, sei que ela tenta muito ser uma ótima mãe, mas não é a pessoa mais atenciosa do mundo em relação a mim e minha irmã. Os únicos assuntos que ela conversa comigo são faculdade e trabalho (ela é acadêmica e sonha com meu doutorado, sendo que nem no terceiro período da faculdade tô). Normalmente, como ela tem que carregar o mundo nas costas, ela se preocupa mais em resolver o que dá pra ser resolvido e tapar o que está ruim com uma peneira até não dar mais e aí precisar resolver.
Meu pai era um excelente pai e realmente não é exagero, mas na situação atual não é como se ele conseguisse dar conta das coisas, mesmo qu minimamente, então ela se sente frustrada e sozinha por ter pedido o suporte dela. Ambos se davam muito bem e foi (e é) bem foda pra ela.
Apesar de eu já ter o diagnóstico médico de depressão há pelo menos uns 5 anos, esse período de pandemia piorou tudo e, além disso, tenho tido crises bem ferradas de ansiedade. Não só devido a minha família, mas também porque namoro uma pessoa cuja mãe é (diagnosticadamente) narcisista, que faz a vida dela um inferno e, apesar de termos um relacionamento foda entre nós dois, eu estou sempre preocupado com o que essa mulher possa fazer. Além disso, mesmo quando não rola nada, não consigo dormir bem. Até malhando e tomando remédios (prescritos) tá ficando difícil e sinto que estou a beira de ter um colapso nervoso. Muitas noites me vejo tremendo, sem conseguir respirar, com pensamentos suicidas e completamente exausto, mas sem conseguir dormir. A única coisa que tenho feito fora de casa é levar meu pai pro mercado e na padaria, porque ele gosta de, nas palavras dele, "dar voltinha" no quarteirão, e ir no banco quando preciso resolver algo. Ou seja, se eu já não tinha muita "vida", agora tá pior ainda.
A questão é que essa parada de, não só minha mãe, mas principalmente ela (que é meio que meu único apoio familiar e na vida além da pessoa que namoro) fazerem tão pouco de mim e do que sou e sinto fica me matando porque não importa quantas vezes eu peça ajuda, ninguém ouve. Tenho muito medo de acabar tendo um colapso nervoso, como já aconteceu antes.
Faço acompanhamento psicológico há uns anos e recentemente (faz uns 3 meses) mudei o atendimento de 1x para 2x por semana, mas o que são só duas (dependendo da semana menos) sessões de terapia para alguém que passa a semana cagado?
E, assim como a pessoa que namoro passa com a mãe dela, ter que lidar com um monte de consequências ruins na vida por causa de coisas merdas que terceiros que pouco tem a ver com a sua (como meus avós, minha tia e minha sogra, por exemplo) e se ver completamente sem perspectiva por causa dos outros é muito ruim.
Não tenho muitos amigos (não que dê pra pedir algum apoio nem que seja pra ouvir como me sinto) e minha família, que já era distante, depois da doença do meu pai simplesmente sumiu.
As vezes sinto que minha mãe quis ter os filhos, mas nunca pensou de fato em como seria cuidar deles, até porque ela nunca teve quem cuidasse dela, então nem faz ideia de como é isso e, de fato, quem era mais ativo no nosso dia a dia, até porque o horário de trabalho dela era menos flexível, era meu pai, então até essa quarentena ela nunca tinha ficado tanto tempo perto da gente e muito menos em casa.
Tenho uma irmã, que é menor de idade, e minha mãe até dá um certo apoio e presença maior a ela por conta disso, mas, no meu caso, é como se eu fosse só uma pessoa que mora de favor aqui. Entendo que muita gente se sente assim depois que faz 18 anos, mas é foda principalmente quando não se tem ninguém para contar, ou ao menos um amigo pra desabafar.
Tenho muita dificuldade em fazer amizades, o que piora tudo, e acho que isso também vem do fato de que, apesar de eu sempre ter sido uma pessoa introvertida e mesmo assim conseguisse fazer uma ou outra amizade, os últimos tempos pra cá, por estar sempre ansioso, preocupado e correndo pra lidar com a minha família, seja porque meu pai não pode ficar sozinho em casa, ou porque trabalho, ou porque deu uma merda nova na vida da minha mãe e ela tem que resolver em cima da hora ou porque minha irmã tomou remédios demais e foi parar na UTI (sim. Já rolou algumas vezes, já que ela também é depressiva).
Para botar a cerejinha no bolo, sou homem trans e comecei com os hormônios há cerca de um ano, logo minha cara tá bem diferente e minha mãe não lida bem com isso, então, querendo ou não, isso também afastou mais a gente. Nas palavras dela quando contei: "eu já tenho um monte de problema pra resolver e você me aparece com mais isso?"
Penso muito em sair de casa, pouco antes da pandemia tava começando a tirar isso do papel, mas sempre que comentava sobre a ideia, como algo hipotético, todo mundo aqui falava que agora não dava, porque eu tinha que ajudar a cuidar do meu pai, e, com a pandemia, desanimei de vez (e o dinheiro todo acabou, pois era isso ou mais dívidas.)
Percebo sim que minha mãe tem uma preferência pela minha irmã, pois, por ela gostar mais de estudar que eu, principalmente coisas tidas como "normais" (normal eu digo coisas que compreendem as áreas de exatas, humanas, línguas e biológicas. Claro que nada é tão simples assim, mas eu faço faculdade de música então forçando a barra acho que deu pra entender a comparação), se for pra escolher quem vai cuidar da casa e do meu pai e quem vai estudar acho que já temos uma resposta. Além disso, a personalidade de ambas é bem parecida.
Realmente não sei o que fazer. Não sei se alguém vai ler até o fim, digitei tudo de uma vez. Só queria me sentir capaz de ter a minha própria vida, não só financeiramente, mas sem situações que bloqueassem completamente qualquer coisa que eu tentasse e automaticamente fizessem com que eu me sentisse cada vez mais sufocado nessa bola de neve gigante.
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2020.08.17 18:11 Sr_SenpaiReal 2020.

O ano de 2020, tem sido um dos piores anos que já estive vivendo, de forma mais especifica, a quarentena, mudou muito a minha pessoa e, foi muito mais num quesito negativo, do que positivo. Eu me tornei uma pessoa mais ansiosa, consequentemente, até mais carente e, meus problemas relacionados a tristeza profunda, voltaram a aparecer, existem dias, que simplesmente, eu perco um pouco da vontade de viver, pois, a quarentena, tem sido como aqueles filmes, em sua maioria toscos, mas, que eu incrivelmente gosto, onde, dois ou mais personagens, ficam presos no loop de um mesmo dia, que se repete, com algumas poucas variações, até que enfim eles desistem, ou, quebram o loop. Infelizmente, eu acho que, eu seria a primeira escolha, sinto que desisti um pouco, o que não é comum pra mim, eu sempre fui uma pessoa otimista, animada, com vontade de fazer tudo, tentar fazer os outros felizes, ajudar alguém, dentre outras coisas, mas, nesses tempos, sinto que perdi um pouco do, "brilho", e, infelizmente, de tão calejado, isso me fez desisitir um pouco de tentar reverter a situação.
Esse tempo de quarentena, me trouxe diversos problemas, e, agravaram os que já tinham; eu sempre fui uma pessoa, que, modéstia a parte, sempre fui criativo, e, com o tempo de isolamento, não foi diferente, eu continuei tendo ideias, mas, com toda essa pressão, vindo de todos os lados, fica consideravelmente, mais dificil, "passar algo pro papel", é pessímo não conseguir transparecer a ideia na minha mente, com tudo que ela tem pra realidade. Outro problema, é que a quarentena, tem afetado meu relacionameto, que já era um namoro a distancia, então, sabemos lidar com a distancia fisica entre nós, mas, a quarentena complicou muito isso, cada um de nós, tem problemas pessoais, e, é dificil ajudar com essa distancia, nós sempre tentamos, mas, fica mais dificil ajudar, quando já estamos maus e, essa falta de rotina criada pela quarentena, criou uma total desorganização com o horario, o que as vezes, consome um pouco do que seria nosso tempo juntos, criando assim, uma carencia um pelo outro. Seguindo a questão de rotina, a quarentena acabou com a minha rotina, por mais que eu tente, não consigo regular meu sono, o que me faz perder horarios do curso de inglês, me deixa mal, afeta minha alimentação e, ainda tenho que ouvir praticamente toda semana, a mesma reclamação dos meus familiares, sempre dando uma motivação idiota pra isso, como o uso de aparelhos eletronicos e afins, a velha, lenga-lenga, entendo a preocupação deles por mim, e, tento, mas, eu simplesmente, as vezes não consigo, me falta disciplina, eu acho. Eu também tenho perdido a vontade de certas coisas, como por exemplo, escrever, jogar, ler, assistir filmes, séries, ou animes e, sinceramente, eu somente acumulo coisas, eu simplesmente, começo e não termino, ou, acabo por nem começar, eu devo ter provavelmente, mais midia pra consumir, do que tempo de vida restante, sinto que vou chegar ao fim, com muita coisa faltando e, já até comecei a descartar certas coisas, o que me deixa frustrado. Também, simplesmente, estou tendo um rendimento, mediocre com meus estudos, o EAD, não é nem um pouco eficaz e, não estou apredendendo quase nada, isso me frustra muito e, me desanima a fazer, mas, continuo a tentar, pois, não quero decepcionar minha familia no ambito escolar também, eu já sou uma decepção em muitos outros quesitos, não quero mais essa frustação, minha relação com minha familia, anda pessíma, eu não consigo me abrir e, nem enfrentar os problemas, eu sou uma pessoa receosa demais, não consigo me abrir com ninguém, além da minha namorada, meus amigos sabem dos problemas, somente por cima, e, não sei se fariam muita coisa se soubessem, porque, até minhas amizades tomaram um balde de agua fria.
Eu não digo que, esses tempos, foram totalmente ruins, sinceramente, houveram momentos bons, por incrivel que pareça, nesse tempo, eu consegui me entender e me aceitar melhor, melhorei minha autoestima e, estreitei algumas bases do meu relacionamento, mas, na mesma medida que houveram coisas boas, houveram coisas ruins também, e, acredito que esteja pesando mais pro lado ruim, eu espero que, um dia eu possa acertar toda a bagunça que esse ano criou.
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2020.08.14 14:21 zChlomaki Eu ter deixado de ser amigo de uma pessoa que falou para a minha melhor amiga que tem problemas psicológicos se matar e ir na fé é algo realmente ruim?

Bem, eu tenho meu grupinho de amigos. E um dia uma amiga conheceu uma pessoa, vamos chama-lá de P e minha amiga vamos chama-lá de M, quando M conheceu o P ele ficou perguntando pra ela namorar com ela 5 vezes, e todas elas foram negadas, e por algum motivo que desconhecemos ele começou a chama-lá de irmã, depois de um tempo ela me apresentou o P. Depois de uns meses foi quando tudo começou a ferver. Eu havia apresentado uma amiga minha, vamos chama-la de L, para o P. L havia alguns problemas psicológicos, eu sempre à ajudava em relação a desabafo, algumas pessoas que eu já ajudei com esse tipo de caso sempre tinham muita coisa pra extravasar, depois de uns dias a gente estava em chamada e estava eu, P, M, L se tivesse outra pessoa na chamada, eu não me lembro, bem a gente estava na chamada tudo muito tranquilo, todo mundo conversando e rindo. Porém P disse que ele ia tomar um remédio, porém ele não havia dito os efeitos do remédio e ”aparentemente” esse remédio fala tudo que vir na cabeça também é algo que eu duvido é que aquele remédio realmente fazer isso pois um tempo depois ele mentiu falando que não conseguia receber um item cortante e que tinha que assinar um papel no correio. Sendo que minha mãe trabalhava com coisas de perícia criminal, ela já postou pelo correio produtos químicos pelo correio e também já comprou muita faca no mercado livre que foi onde ele comprou. E quando ele voltou e estava tudo bem até que ele diz para a L ir se matar e para ir na fé, eu e a M ficamos com medo, e a L veio desabafar no meu privado do Discord e a L deixou de ser amiga do P, depois de um tempo (contexto: eu sou inseguro ao meu corpo, sei que é a verdade, mas eu realmente não gosto do fato de eu ser um pouco enchidinho) ele me ofendeu esfregando muito na minha cara que eu era gordo mesmo ele não podendo dizer muita coisa. Depois de alguns dias ele começou a me pedir em namoro (contexto parte 2: ele falou “que era brincadeira”, mas o que eu penso é eu tenho certeza se eu aceitasse não seria brincadeira.) o que pra mim não foi legal mas eu relevei, já L ficou com mais raiva dele ainda, se passa mais uns dias eu pensei no que tava acontecendo antes de dormir e vi o quão aquilo não tava ficando legal, no dia seguinte eu me revoltei. E comecei a xingar ele, e ele começou a discutir comigo no privado do Discord, depois de um tempinho eu fui desabafar no privado da M que junto da L são minhas melhores amigas e foi quando eu desabei, com medo de perder a M por causa do P, eu conheço a M a 4 anos e perder uma amiga tão próxima como a nossa amizade, iria me quebrar, depois disso, o P mandou um convite para um servidor para a L, e vamos concordar que a pessoa falar pra você se matar e você se desaproximar da pessoa e ela te mandar o convite do servidor dela é muita sacanagem, e eu briguei com o P novamente, e agora um amigo meu não anda falando comigo direito, acho que por causa dessa porra. Se vocês quiserem as prints das conversas me contatem no twitter (@MaFiret_) porém elas estão em português e algumas traduções pra vocês não estarão erradas então se possível procure alguém que saiba português, mas enfim eu fui babaca? Atualização: Quando escrevi isso foi a 3 semanas atrás, semana passada eu acabei brigando com a L e agora eu não converso mais com ela, e ando conversando com outra pessoa a gente brigou e eu briguei falando de qualquer coisa que veio na cabeça, mas… o que ela tinha dito parecia que tava entalado lá dentro há muito tempo, mas eu nem tenho dado bola mais porque eu já to conversando com outra pessoa e essa pessoa dominou minha cabeça… me fez esquecer tudo que tava acontecendo, se to apaixonado, eu não sei. E eu não sei se eu sou babaca ou não, pq há tantas coisas acontecendo e eu só tava sentindo que tava enloquecendo, e essa pessoa que não vou falar aqui pq pode chegar até ela mesmo sendo muito improvável me fez me acalmar um pouco, então é acho que estou bem
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2020.07.25 04:23 YatoToshiro Ultradimension Games #4 Hyperdevotion Noire


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Lee-Fi Lee-Fi é uma jovem apaixonada que usa o punho para falar. Por isso, ela é má com pessoas indecisas e acredita que apenas pessoas fortes valem alguma coisa. Ela está sempre em busca de alguém que possa ser mais forte que ela e incentiva um desafio. Quando seu interesse é escolhido, ela escuta com total intenção. Ela pode ser egoísta e rude, mas também se importa com os amigos.
Ela é a primeira dos generais a aparecer ao lado de Noire no começo. Depois que Noire acredita na tradição de uma mulher chamada Eno e joga Gamarket no Caos, os Generais desertam e agem de forma independente.
Lee-Fi é o primeiro general a luta da CPU depois que ela derruba a secretária de Noire. Ela perde e é levada em custódia. Ela desafia Noire para o primeiro desafio que vê: um pôster de um concurso de beleza e, apesar de tudo, Lee-Fi saiu correndo do palco chorando de vergonha. Mais tarde, ela decide que quer lutar contra Lid, outro dos generais. Mais tarde, ela concorda com a proposta de Resta de fazer com que os generais a combatam para ver se as convicções de Noire eram verdadeiras. Após a derrota de Resta, Ela, juntamente com Lee-Fi e Lid concordam em ajudá-la.
Lid Lid tem uma personalidade legal e séria, mas quando coisas irracionais acontecem, ela cospe comentários venenosos. Ela tem medo de desenvolvimentos inesperados, armadilhas e se esconde em uma caixa de papelão, tendendo a ser cautelosa com o ambiente.
Além disso, quando a situação se desenvolve muito além de suas expectativas. Ela também costuma se atrapalhar com suas próprias palavras..
Ela é vista pela primeira vez no início do jogo com Noire e seus outros generais.
Depois que Noire leva Gamarket ao caos, alguns soldados de Lid foram vistos perseguindo Resta, que estava em um estado enfraquecido. Ela pede desculpas por suas ações e foge.
Mais tarde, ela é vista em sua própria cidade, tentando prender os outros processadores. Quando ela é confrontada por Noire, ela os desafia. Ela perde e concorda em ser detida.
Em seu momento, ela espia Noire enquanto toma banho e a ouve falando sobre Lid ser um ídolo, o que contraria tudo o que ela representa. Depois que ela é descoberta, ela cai da abertura no chuveiro de Noire e é punida por isso.
Quando Resta se recuperou, Lid explica que Resta pisou em sua própria mina terrestre. Depois disso, ela concorda com a proposta de Resta de fazer com que os generais desafiem as CPUs a testar a convicção de Noire e, depois de derrotadas, ela se junta a elas como uma espiã da equipe.
Resta Resta parece uma criança pequena, mas por dentro é uma garota forte e uma pessoa com bom senso. Quando ela olha para a falta de jeito de Noire, mesmo quando criança, ela se preocupa. Inesperadamente, ela adora histórias de adultos e se interessa por coisas pervertidas. Mas ela não tem experiência nessa categoria e parece exibir uma pequena quantidade de inocência.
Estelle Estelle é uma pessoa com uma disposição brilhante e simples. Ela parece muito inocente e se considera uma heroína em busca de coisas lendárias. Mas suas ações nunca são feitas com más intenções, embora ainda a envolva em problemas ...
Ein Al Uma misteriosa mulher-espada, à primeira vista ela tem uma atmosfera séria e fria sobre ela. Mas ela está simplesmente (com toda a intenção) exibindo sua elegância, a chamada Chuunibyou.
Ein adora usar palavras difíceis para parecer mais madura, mas na ocasião ela mostra suas cores verdadeiras.
Moru O mais novo dos comandantes militares, Moru está cheia de energia e uma inocência natural. Ela pode parecer um pouco ingênua e se apressa a entender as coisas de uma maneira única. Sabe-se que seus sentidos são fortes, o suficiente para detectar inimigos ocultos.
Poona Pacifista gentil e com um jeito preguiçoso de falar, Poona encontrará coragem para enfrentar qualquer coisa se vir alguém que conhece ou se preocupa com problemas. Seu ponto de charme é o bombom na cabeça.
Ai Masujima Ai Masujima adora cantar e dançar com as amigas. No entanto, mexa com ela, ela fica fria, semelhante a Plutia.
Ela aparece no capítulo 4: Rest @ rt. Neste capítulo, Ai está tendo problemas para encontrar Vert e é encontrado por Eno, que está desconcertado com seu idioma. O CPU encontra-a sendo atacada por monstros, resgata-a e diz que ninguém é permitido entrar em Lowee. Ela interpreta o papel da vítima inocente até Blanc retornar e ressalta que ela foi responsável pela lavagem cerebral dos cidadãos de Lowee.
Lee-Fi é baseado em Chun-Li do Street Fighter. A tampa é baseada em Snake, do Metal Gear Solid, e usa uma faca para lutar. Resta é baseado na forma infantil de Ellis / Fiona, da Record of Agarest. Estelle é baseado no herói masculino de Dragon Quest 3 e usa uma espada e um escudo. Ein Al com duas tatuagens de espadas no rosto é baseado em Final Fantasy. Poona é baseado em Opuuna. Moru é baseado na série Monster Hunter e usa uma maça para lutar.
Ai Masujima é baseado na franquia The [[email protected]](mailto:[email protected]).

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Ryuka Ryuka é uma mulher de pele clara com olhos azuis brilhantes. Seu cabelo é castanho e preso ao lado em dois cachos grandes e enrolados de comprimento uniforme. Ela veste uma flor vermelho-rosada no lado direito.
A roupa de Ryuka consiste em uma blusa vermelha reveladora com um dos quatro botões abotoados, diretamente abaixo do peito, enquanto a blusa é mantida fechada por um broche de ouro com uma flor detalhada. Impresso na camisa é um dragão preto. Isso é usado com uma jaqueta branca solta com mangas vermelhas, uma saia curta branca com faixa preta e uma fenda cortada na lateral colorida com pano vermelho. Ela também usa meia calça com um par de polainas brancas com detalhes em vermelho, preto e dourado. Seus sapatos são plataformas brancas e pretas com um rubi em cada dedo do pé.
Blossom Aisen Blossom tem uma pele clara e olhos roxos claros. Ela tem cabelos loiros, curtos e claros, com um corte infantil irregular, com a franja cobrindo o olho esquerdo. Ela usa um pedaço de cabelo roxo com adornos em ouro.
Blossom usa uma blusa branca com uma marca de forma de diamante cortada no peito e uma peça preta e dourada em volta do pescoço. Isso está embaixo de uma jaqueta roxa brilhante com detalhes dourados e pretos e um diamante de ouro nas laterais segurando-a fechada sobre o estômago. Sobre os ombros, ela tem um pano branco em miniatura com forro dourado e desenhos florais vermelhos. Por baixo da jaqueta, Blossom também tem um pedaço de material preto que gira em torno da metade inferior e um par de longas luvas brancas sem dedos. Ela também tem calças apertadas com temas cinza e preto com detalhes brancos e sapatos pretos.
Tsunemi Tsunemi não consegue expressar bem seus próprios sentimentos e tem uma maneira não natural de falar, como um robô. Ela é muito sensível aos sentimentos internos de outras pessoas e acha que só pode expressar seus verdadeiros sentimentos quando canta.
Tsunemi é uma garota de pele pálida, com olhos azuis profundos e cabelos loiros longos e pálidos, usados em tranças, seguradas com peças em círculo pretas com detalhes rosa.
Ela usa um vestido com um top revelador apenas cobrindo a frente. Consiste principalmente em preto e possui detalhes em azul pálido / esbranquiçado, ouro claro e azul escuro. Acima dos seios, no centro deles, e na parte inferior da saia, há material translúcido rosa. Ela também tem uma barra de música azul na região da virilha, cercada por quatro botões rosa com um X, O, triângulo e quadrado. Ela também usa mangas pretas e botas altas, ambas com detalhes em rosa e meias brancas um pouco mais longas.
Wyn Wyn é uma garota de futebol vigorosa e positiva. Ela é muito gentil com os outros e nem um pouco egoísta, embora possa ser meio simples. Ela é legal com amigos e estranhos.
Wyn é uma garota de pele clara e pálida, com olhos cianos brilhantes e cabelo castanho claro curto, usado em um rabo de cavalo preso por uma faixa vermelha.
Ela veste uma blusa azul solta com detalhes em azul mais escuro, dourado e branco. No peito, há uma seção de vermelho e laranja com um J azul escuro ao lado. Ela também usa shorts brancos e azuis sobre um par de leggings azuis escuras, de comprimento curto, tênis azuis com detalhes em azul e branco escuros e uma esfera azul na língua de cada dedo, uma gargantilha azul escura e uma pulseira de ouro.
Lady Wac Uma garota indescritível com uma propensão a provocar os outros até que os deixe com raiva. Sua idade é um segredo, mas comparada à maioria, parece que ela está pelo menos uma geração à frente deles, devido ao seu interesse em jogos retrô e ódio à juventude. Sua maior característica parece ser o fato de ela gostar de comer, implicando uma natureza gulosa.
Lady Wac é uma garota de pele clara e clara, com longos cabelos loiros pálidos, que são usados em tranças bufantes e franja comprida cobrindo os olhos. que são laranja. Na cabeça, ela usa uma faixa de babados roxa escura com um grande laço amarrado que tem uma peça central laranja e um pequeno diamante ao lado.
Wac usa um vestido rosa escuro com detalhes de babados roxos escuros e um pescoço correspondente, com um pequeno pingente de ouro no centro para combinar com os botões abaixo do peito, que são cobertos por um material translúcido. A saia do vestido parece ser muito folhosa e comprida, com detalhes em violeta claro e rosa pálido, além de uma pequena criatura azul que sai do bolso e uma cereja colorida no laço. Ela também tem meia-calça branca, maryjanes pretas com presilhas de morango para se parecer com doces cobertos de chocolate e rosa escuro, mangas no braço.
Generia G Uma super capitã que pode fazer qualquer coisa, desde que tenha a ver com máquinas. Ela é a líder da Minerva.
Generia é uma garota de pele pálida, com olhos dourados e um pequeno par de óculos vermelhos. Seu cabelo é pálido, amarelo chiffon e cortado na altura dos ombros, usado com um chapéu de capitão branco e preto com detalhes dourados e um rubi no centro de um deles.
A Generia usa uma roupa com temas cinza, branco e preto, fortemente decorada com detalhes em branco, preto, vermelho, dourado, azul e marrom claro. Em volta do pescoço, uma gola branca com detalhes dourados e vermelhos, além de ombros dourados e grandes mangas brancas de braço com forro dourado nas partes vermelha e marrom clara. Ela também usa uma faixa preta com uma parte colorida no centro, luvas brancas e sapatos brancos tipo mech com preto e prata na parte superior e vermelho na parte inferior com grandes algemas brancas ao redor do tornozelo.
Saori Uma garota com um verdadeiro coração de donzelas. Outros dizem que ela seria a heroína principal em qualquer sim de namoro. À primeira vista, ela pode parecer uma garota normal e normal da escola, mas não deixe isso te enganar. Ela pode lutar com os melhores!
Saori é uma garota de pele pálida, com olhos rosados e cabelos ruivo claro. Ela tem franja curta e um pouco de cabelo usado para emoldurar seu rosto, enquanto o resto é usado em um rabo de cavalo que atinge seu estômago. Perto do final do cabelo, parece uma coloração rosa pálida, e o cabelo é decorado com pequenas flores brancas e um clipe de coração rosa e oco.
Saori veste um uniforme escolar azul claro com um laço de chiffon pálido e camiseta branca por baixo, junto com um pequeno coração rosa cortado no centro do peito. Ela também usa calças de cor azul, que podem ser uma saia ou um par de shorts pregueados, meias brancas com linhas rosa no topo e botas curtas marrons soltas.
Ryuka é baseado na franquia Yakuza. Blossom Aisen é baseado em Sakura Wars Tsunemi é baseado em Hatsune Miku do Vocaloid e usa música para lutar Wyn é baseado em jogos de futebol, possivelmente Winning Eleven pela Konami. Lady Wac é baseado no clássico jogo de arcade Pac-man. Generia G Provavelmente é baseado nos jogos da Gundam Generation game Saori possivelmente é baseado em Tokimeki Memorial's Shiori Fujisaki

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Vio Especialista em lidar com surtos de vírus, o Vio está muito acostumado a lutar. Ela tem uma personalidade peculiar e pode parecer um pouco feliz, embora saiba que é melhor exagerar na maior parte do tempo.
Vio tem cabelos verdes na altura dos ombros e olhos vermelhos. Sua roupa é preta com detalhes dourados e consiste em uma blusa de gola alta levemente esfarrapada, luvas brancas sem dedos, calça quente com pernas com zíper destacadas, botas brancas e algum tipo de coldre de cinta dupla na coxa direita.
Muitos aspectos do design de Vio na arte conceitual também mostram que ela é influenciada pela série Resident Evil (BioHazard no Japão); seu design geral parece inspirado em algumas das versões mais recentes do personagem 'Jill Valentine', e ela tem uma pequena criatura mutante verde / pelúcia no ombro esquerdo, segurando um guarda-chuva - na série Resident Evil, a Umbrella Corporation é responsável para o desenvolvimento original de muitos dos "vírus zumbis" mutantes ao longo da série, e seu logotipo é praticamente idêntico a uma visão de cima para baixo do guarda-chuva que o mutante da Vio está segurando. Sua arma de escolha é uma arma de cano longo, de águia do deserto, que é uma arma vista em muitos jogos da franquia Resident Evil.
Sango Sango acha que ela possui autoridade para agir mandona na frente de todos. Ela gosta de provocar e assediar os outros, e parece ser sádica e possivelmente masoquista, implicada pelo fato de que ela não odeia ser punida.
Sango é uma garota pálida, de pele clara, com pequenos olhos roxos e cabelos castanhos muito compridos. Ela tem franja arrumada e adequada para enquadrar o rosto, com poucos fios soltos na frente das orelhas e uma parte complicada que amarra o cabelo em quatro tranças circulares com tranças finas. Ela usa um ornamento roxo claro com detalhes dourados que se assemelham a uma borboleta e peças vermelhas opacas.
Seu traje consiste em uma túnica chinesa roxa vermelha e escura com detalhes dourados. Abaixo do peito, há um pano verde claro com um segmento preto por cima, com detalhes dourados, um cordão de baga brilhante e uma gema roxa clara no centro com uma gigantesca corrente de contas douradas. Seus sapatos são simples, sandálias pretas com saltos dourados e grossos.
Litte Rain Little Rain é uma garota de pele clara, com olhos azuis opacos e cabelos brancos muito compridos, que geralmente são soltos, mas tem uma fita roxa na parte inferior.
Ela usa um vestido bronzeado cremoso que seria revelador, se não fosse o top marrom chocolate usado por baixo dele com um pingente de ouro e roxo no meio, abaixo dos seios. Que combina com o pedaço do pescoço segurando as tiras de creme de seu vestido. Abaixo do ombro, ela tem mangas marrons chocolate e, em volta da cintura, há uma peça branca e prateada, segurando uma saia rígida marrom chocolate que revela seu vestido no meio. Decorar as partes marrons de sua roupa são detalhes em ouro. Enquanto seus sapatos são brancos, com detalhes marrons e dourados e orbes roxos em cima.
Vio (originalmente Capcom, que vazou como uma arte conceitual para Victory) está fazendo sua estréia neste jogo. Ela é baseada na franquia de Resident Evil (conhecida como Biohazard no Japão). O Sango é baseado no Sun Shang Xiang dos Dynasty Warriors e usa um Guan Dao Halbard. Little Rain é baseado na série Neverland.
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2020.07.11 07:49 espiritossuperiores O relacionamento interpessoal

O relacionamento interpessoal pode ser compreendido como uma área da psicologia e sociologia que estuda a relação de uma ou mais pessoas levando-se em consideração as suas origens, contextos culturais e localização atual dessas pessoas quando se relacionam.
Eu sendo um homossexual que se atrai exclusivamente por heterossexuais, por ser fadado ao eterno desprezo ou no máximo piedade deles, eu acabo impactos negativos nos meus relacionamentos interpessoais que me deixam em desvantagem em muitas situais, creio que os outros gays que sofram do mesmo problema irão aqui identificar os mesmos problemas que eu. Se você quiser que eu acrescente uma situação de relacionamento interpessoal aqui, deixe de forma clara a situação e o impacto que ela causa em sua vida, nos comentários abaixo.

  1. A timidez, muitas vezes estamos em um grupo onde precisamos tomar alguma atitude antes que algo pior nos aconteça, como você é gay e sente que ali ninguém tem afinidade com o tipo de vida que você tem, você acaba se fechando para não constranger aos outros e a si mesmo.
  2. Recalque: você sente muita atração por homens mas os seus colegas só sabem falar de assuntos sexuais inúmeros da farta sexualidade heterossexual deles, aí então quando você fala algo como um comentário elogiando um rapaz no meio da conversa, todo mundo fala em tom de nojo: ” iiih, que papo estranho!”, “sai fora!”, “o papo tá indo pra um lado estranho!”, enfim, todo tipo de desaprovação e ataque sutil psicológico contra você é lançado, fazendo com que você cale e se recalque no que queria falar ou expressar, consequentemente você começa ficar no grupo por obrigação e não por prazer.
  3. Ostracismo: os relacionamentos interpessoais é comum termos eventos onde unam-se pessoas para variados fins lúdicos, um exemplo disso são as festas de final de ano das empresas, nessas o constrangimento é menor pois você é obrigado a ir, agora quando os seus amigos fazem uma festa particular entre eles onde não se envolve a empresa, todos são convocados, menos você por ser diferente, por ser gay, você acaba então se sentido no ostracismo mas finge que tudo está normal com um sorriso amarelo no rosto.
  4. Desafios de carreira: todos nós na vida moderna temos uma série de cobranças de desempenho para atender, todos gerenciam isso com amortecedores psicológicos para deixar a vida menos tensa, heteros são cobrados para irem bem na faculdade, no emprego e em casa, você também, mas os heteros contam com barzinhos como porta de entrada para sexo farto, namoros em todos locais, adultérios e etc, todos remetendo à válvula de escape do sexo desvairado sempre pronto para acontece, você não, você é cobrado das mesmas coisas mas não conta com amortecedor tão forte como o sexo e a paixão correspondida, logo o seu desânimo para fazer as coisas é maior ou o desânimo dá lugar para o ódio e você fica uma pessoa que desempenha tudo com ódio descontado nos outros em suas atividades interpessoais.
  5. Inadequado: Você precisa de uma profissão mas aquela que você acha, exige uniformes ou fardas que lhe fazem se sentir um heterossexual sendo que você não é, aquela profissão lhe forja uma sexualidade que não é sua, consequentemente você acaba atraindo pessoas que não gosta e se sente um peixe fora da água, o que acaba fazendo a sua vida profissional ser tóxica ou curta.
  6. Redes sociais da depressão: você usa as redes sociais de forma intensiva mas percebe que ninguém do sexo pretendido interage com você, mesmo com a sua presença forte nessas redes, você nota que ninguém curte as suas postagens, suas fotos postadas ninguém nem comenta, deixando clara a sua falta de amizades e popularidade baixa a todos, você então se deprime pois ao se comparar com aquela sua amiga mulher repara que qualquer coisa sem valor que ela posta, tem milhares de curtidas e desejos de vida melhor para ela por parte do sexo oposto, você se sente inadequado e acaba excluindo a sua rede social.
  7. Distanciamento social: você percebe que suas brincadeiras são sempre recriminadas ou não entendidas pela maioria dos integrantes do seu grupo, você também nota que as pessoas sempre evitam ficar sozinhas com você em um lugares públicos para evitarem levar ‘má fama’ de terem um caso com você, os seus colegas falam horas e mais horas sobre assuntos que você não entende em sua frente sem constrangimento algum por você não interagir, é o caso do clássico debate futebolístico entre machos onde você fica sempre ‘sobrando’, então cada vez você começa a querer ficar longe das pessoas e romper as poucas ‘amizades’ que tem.
  8. Constrangimento em nome do grupo: hoje em dia as pessoas se sentem muito ofendidas por serem rotuladas de “anti sociais” então para evitarem essa rotulação aceitam qualquer tipo de constrangimento do ‘bom’ relacionamento em grupo ficando horas entre rapazes que ficam falando todos os tipos de coisa ruins contra homossexuais , mulheres e negros, tudo é tolerado e no fim a pessoa se sente horrível moralmente mas com o dever social cumprido.
  9. Repudio à datas comemorativas: você sabe que no meio heterossexual as pessoas usam as datas comemorativas como desculpa para obterem mais divertimentos entre amigos e aumentar as suas possibilidades sexo-afetivas, porem você sabe que quem é gay e gosta de hetero não desfruta das mesmas vantagens, sendo assim, qualquer feriado ou data comemorativa para você, lembra o seu ostracismo social, consequentemente você acaba ficando indiferente a todas elas, ate mesmo em relação a data do seu aniversário. Você não tem muito o que comemorar.
  10. Horror a barzinhos: você anda nas ruas e vê aqueles heteros lindos , sorridentes, felizes e aparentemente no cio, sempre gritando ou fazendo algo estúpido para chamar a atenção das mulheres para si e muitas vezes são as mulheres que fazem esse papel, você então fica triste pois embora aqueles homens sejam todos do tipo que você aprecia, eles são violentos e repudiam veementemente homossexuais, se você vai a bares gays, você sabe que lhe chegarão outros homens gays que não lhe causarão absolutamente nada, alem disso você corre o risco de num bar gay ser alvo de grupos radicais de extrema direita, por tudo isso você acaba evitando a vida noturna onde mora e fica 24 horas em cima de um computador com internet.
  11. Vulnerabilidade: por você sofrer todas as situações acima, numa relação interpessoal você acaba estando mais vulnerável quando precisar brigar por seus direitos ou pelo seu ponto de vista, mesmo você estando certo, você por ter um comportamento rotulado de antisocial acaba gerando antipatia gratuita nos outros e as pessoas tendem a acreditar e considerarem mais as pessoas “sociáveis” e sedutoras, veja-se o exemplo do Hitler que beijava criancinhas e seduzia os seus fãs com alguns sorrisos, ele ganhou carta branca para fazer o que fez graças também à sua sedução social, então, uma pessoa que aparentemente é antisocial ela passará uma imagem de ruim e sem credibilidade, quando uma pessoa “social” então inventar alguma mentira contra você para lhe colocar em uma encrenca, as pessoas darão mais crédito a ela do que você que é um gay “esquisito” que não se mistura com ninguém, por isso, socialmente o gay que gosta de hetero é muito vulnerável e num debate corre serio risco de ser “fuzilado” injustamente pelos colegas.
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2020.06.21 05:13 marvinpls me sentindo extremamente mal com meu atual namoro

eu sei que a resposta óbvia é "termina pq já deu, já passou muito tempo, vc tá se desgastando e ela também", mas prometo que é um pouco mais complexo que isso. vou tentar contar as coisas relevantes, provavelmente vai ficar corrido.
tenho uma história longa com uma garota. diria que faria e tentei fazer tudo por ela. ela é carismática, extrovertida, trabalhadora, e essa história durou nada menos que 3 anos e meio, até que terminamos. houve traição da parte dela, além de ter me visto, depois de muito tempo, num relacionamento abusivo. fui manipulado de diversas formas, apesar dela mesma não concordar com algumas coisas que eu disse que me sentia mal, mas tudo bem.
ficamos um mês mais ou menos "terminados", depois voltamos com bastante conversa. tudo ia bem durante um mês e meio, até que começávamos a discutir frequentemente, sempre por coisas bobas que de certa forma remetia o passado. e eu notei, sem enviesamento, que boa parte começava por ela. eram provocações, ironias, coisas que eu nunca gostei. nunca resolvíamos como um casal de peito aberto, pelo menos eu tentava fazer esse papel. quando a discussão acontecia, não era pra buscar uma verdade e uma solução, era basicamente: "você saiu com seu amigo X, eu não gosto dele por [insira qlqr motivo idiota]". apesar de todas essas pontuações são um pouco mais complexas, mas não queria me abrir tanto assim por enquanto.
eu sempre presei duas coisas: sinceridade e confiança. confiança eu sabia que ia demorar, afinal, ela me traiu e eu demoraria a confiar totalmente nela novamente. sinceridade era uma coisa estranha, toda vez que discutíamos, ela não dava foco no "acho que vc fez isso errado, pq vc fez isso?" era sempre algo envolto de deboches e conclusões abstratas, como "vc é muito imaturo, precisa agir como homem" entre outras coisas. tudo era motivo pra me jogar essas coisas na cara.
não vou dizer que errei em nada em tanto tempo. assumo que houve um tempo que fiquei bastante relaxado com nosso namoro, teria que fazer uma ''linha do tempo'' pra isso, mas posso dizer que isso aconteceu depois que ela tornou-se abusiva. assumo que não consegui ser tudo aquilo que ela queria, mas obviamente não vou dizer que isso anula tudo de ruim que me causou (eu realmente entrei em profunda tristeza por um tempo nos últimos meses).
já hoje em dia, fico muito triste quando temos brigas como essa. quando temos discussões pacíficas, ela me promete que está sendo sincera dizendo o que quer que eu faça pra melhorar (por ex, nunca tive um bom relacionamento com os pais dela, e ela queria que eu tivesse , e eu juro que estou tentando), mas quando temos brigas, sempre fica na defensiva, dizendo que queria que eu fosse tal coisa, mas quando pergunto o que exatamente, ela desvia, etc...
enfim, era isso. as vezes acho que o melhor era terminar mesmo, mas ela parece ter problemas também, e diz gostar muito de mim (consigo ver pelas atitudes que ela faz pra me agradar, ela é uma boa namorada, de verdade), mas esses momentos ruins me deixam pra baixo demais, desmotivado e estressado. esse ano tem sido uma merda pra mim.
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2020.06.16 03:51 LSRaymonds Escrever tem me ajudado, mas também atrapalhado

Peço desculpas desde já se essa postagem não entrar em concordância com o intuito do sub
Bem, como escrevi no título, eu escrevo poemas mas não a muito tempo, desde o segundo semestre de 2018 onde minha depressão já estava em uma decadente após o pico quando terminei meu primeiro namoro. Meus poemas são basicamente melancólicos, eu não consigo escrever sobre nada que seja alegre, feliz, já tentei até mesmo na época do meu último namoro (época mais feliz da minha vida certamente) e nada saiu, faz um certo sentido considerando que eu decidi usar a poesia como um escape pra quando não tenho como desabafar ou falar com ninguém, então simplesmente jogo toda a raiva e a tristeza no papel, isso me ajudou a superar um pouco minhas piores fases, mas também se tornou um problema.
Eu sou muito crítico comigo mesmo e tenho medo de revelar pra outras pessoas que escrevo, só falo quando sinto que a pessoa é confiável e não vai me sacanear ou zuar com a minha cara, por mais que seja meu pessoal naqueles versos, aquilo é parte de mim e eu quero poder compartilhar com alguém, sabe? Sempre que mostrei meus poemas pra alguém, tive reações positivas mas eu ainda sim me sinto pra baixo, pois sempre penso que a pessoa não critica pra não me deixar mal, eu estou constantemente duvidando de mim mesmo e até hoje só gostei de verdade de um poema que escrevi. O fato de não ser um leitor assíduo e não conhecer muito sobre literatura me faz me sentir um merda, escrevo mas que assunto vou ter se eventualmente encontrar alguém que escreva também? Adoro encontrar pessoas que também são envolvidas com a arte de alguma forma, me faz me sentir menos estranho mas sinto que não tenho base quando falo com essas pessoas.
Sei que muitos dos meus problemas são mais parte da minha personalidade perfeccionista e da minha insegurança e ansiedade, escrever me ajuda muito, mas acabou me dando uma nova plataforma para eu me julgar e me comparar com outras pessoas...é complicado
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2020.04.27 22:47 shinytrash_92 Eu sou um peso na vida do meu marido

Ensaiei esse post por horas. Escrevi, apaguei, fui tomar banho, reescrevi, editei e não postei. Criei uma conta alternativa e reescrevi uma última vez para conseguir postar e não ser rastreada, pois o que estou prestes a falar é humilhante demais para sequer imaginar que alguém que eu conheça esteja lendo, principalmente meu marido. Mas, a verdade é que sou um peso na vida dele, e pior: covarde demais para me separar e deixar que ele prospere sozinho.
Contexto: estamos juntos há 14 anos, sendo 4 de casamento e 10 de namoro. Nos conhecemos super novos, ainda no cursinho. Eu era uma menina bonitinha, magrinha e pequena, com alguns hobbies e planos pela frente, mas, já fazendo tudo com uma certa dificuldade, principalmente por conta de um background com família e emocional bem instáveis. Ele era um cara super inteligente, já falava 3 línguas, tinha morado fora e vinha de uma família rica e equilibrada. Logo passou em medicina, numa faculdade pública, enquanto eu perdi mais uns anos no cursinho pra passar em um curso meio bosta numa particular.
Quero deixar claro que essas visões são minhas: Ele jamais me subestimou por ser mais rico, mais inteligente ou ter feito uma faculdade melhor que a minha. Eu que fui desenvolvendo esse olhar conforme fui percebendo que, enquanto eu sofria para estudar e precisava de ajuda dele com trabalhos e exercícios, ele ia fazendo a faculdade dele e a minha também, por tabela. Não estou exagerando: ele desistiu de matérias para me ajudar com o meu curso. Virou noites fazendo exercícios e estudando comigo. Quando casamos e veio a residência, onde mal conseguíamos nos ver, me afundei em uma depressão profunda. A casa estava sempre uma zona, pois eu não conseguia cumprir com as tarefas domésticas (que eram minha responsabilidade, uma vez que ele tinha me ajudado com a faculdade e agora precisava de ajuda para terminar a dele). Não sei explicar, não tenho energia. Não é como se eu passasse o dia fazendo outras coisas, eu passava o dia na cama olhando pro teto. Nem séries eu tinha vontade de ver. De quebra Engordei 40kg e tive muita dificuldade com o meu TCC. Sinto que ele vem me carregando desde então.
Se antes eu sentia que não bastava por ser esse saco de lixo burro e inútil, agora eu também estou gorda e horrorosa. Nem esse, que era o papel mais basal de uma esposa - o de ser bonita - eu consigo mais cumprir. Nossa vida sexual também foi embora - e não por culpa dele, mas, por culpa minha! Ele insistia para fazermos amor, mas, eu tinha vergonha demais do meu corpo e fui recusando, até ele parar de pedir. Esse ano, se transamos 3x foi muito.
Obviamente que não é só isso. Para o pacote ser bem completo, além de burra, inútil e gorda, eu também sou uma pessoa difícil de lidar. Briguei e cortei relações com muita gente próxima dele. Vários amigos dele não gostam de mim, o irmão dele me odeia, as tias dele também. Sei que os pais dele são corteses, mas que também prefeririam que ele estivesse solteiro. Eu tenho surtos de raiva, provavelmente relacionados com o meu background familiar, e sempre acabo com as minhas relações pessoais. Ele é praticamente a única pessoa que restou. Mesmo minha amiga mais próxima, a única que conservei da faculdade, sinto que só gosta de mim por que quer estar próxima dele também.
A gota d'água foi recentemente ter sido mandada embora da empresa em que eu trabalhava, que, por conta do COVID decidiu só manter os funcionários essenciais. Obviamente que eu não sou essencial e fui afastada. Agora, além de gorda, inútil e burra, também sou financeiramente dependente dele. Nem o salário terrivelmente baixo que eu recebia eu tenho mais para ajudar com as despesas (que eu mesma gero).
Ele, sempre paciente, diz que está tudo bem. Diz que segura as pontas, para eu aproveitar esse tempo e procurar um curso online e me relançar no mercado quando a quarentena acabar. Ele banca. E essas palavras me cortam por dentro, porque com que cara eu vou falar pra ele que não tem absolutamente nada que eu queira fazer? Que quando eu acordo de manhã, o simples pensamento de levantar da cama me faz querer morrer? Que o ponto alto do meu dia é quando eu vou dormir e passar horas desacordada??? Eu não tenho mais energia, minha cabeça dói o tempo todo, preciso fazer pausas enquanto faço as tarefas domésticas ou não consigo continuar. Não posso falar nada disso pra ele pois ele já perdeu tempo demais lidando com a minha bullshit no passado e tem uma fucking pandemia acontecendo no país, que é muito mais urgente.
Eu só queria poder retribuir um milésimo de tudo o que ele fez por mim. Eu só queria não ser um peso na vida do homem que eu amo.
Eu vejo essas esposas modelo e me sinto tão absolutamente aquém. Eu só queria conseguir fazer coisas simples, sabe? Basicas. Não precisa ser nada de grandioso no começo. Pintar minhas unhas, por exemplo, essas mulheres sempre tem unhas tão compridas e bonitas... Mas, nem isso eu consigo fazer. As minhas são roídas e horrorosas.
Queria poder receber ele em casa com um jantar balanceado e saudável todos os dias. Mas, não consigo manter minha dieta nem por 2 dias consecutivos.
Queria manter a rotina de limpeza da casa, passar roupa, cuidar dele como ele sempre cuidou de mim. Mas não consigo manter, me desinteresso, passo um dia na cama e os outros já estão perdidos depois.
O fato é que estou cansada de tentar e fracassar toda vez. Devo ter algum problema psicológico ou um retardo mental que me impede de fazer melhor.
Eu já pensei diversas vezes em deixá-lo, porque, certamente ele conseguirá me substituir por alguém melhor, mais atenciosa, mais presente. Alguém que não seja um atraso. Sei inclusive de mulheres do hospital em que ele trabalha dando em cima dele. Eu fico brava e com ciúmes, mas, ao mesmo tempo sou tão insuficiente que penso: será melhor não deixar acontecer?
Mas, a verdade é que sem ele eu perderia a única coisa que fiz certo na minha vida. Eu nem teria pra onde ir pois não tenho família nem dinheiro. Estaria literalmente na rua. Que patético, né? Em pleno século 21, depois de tantos direitos conquistados por mulheres que vieram antes de mim, meu maior feito na vida foi ter casado com um homem bom... E não merecê-lo. Não consegui conquistar nada por mim mesma.
Se eu tivesse vergonha na cara daria um fim nessa vida miserável e parava de ser um peso morto (rsrs sacaram? é pq eu sou gorda também)
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2020.04.18 01:05 BrnNick Quero cuidar da minha namorada depressiva e não vejo alternativas legais em relação à isso.

Eu tenho 17 (18 esse ano) e namoro à distância uma menina de 15 (completos esse ano) que mora à cerca de 400km de mim, em outro estado. Ela mora com a mãe divorciada, com o padrasto e com a irmã mais nova e tem uma relação péssima com os familiares dela (autoritarismo total) e sofre deles: assédio verbal, abuso de poder familiar, obrigações domésticas (a mãe dela tira as coisas dela se ela não limpa a casa ou cuida da irmã) e total negligência com saúde.
A menina sempre foi diminuída dentro de casa, e depois que os pais se divorciaram e ela foi morar com a mãe as coisas só pioraram, na infância ela foi muito maltratada com castigos pesados, assédio verbal e tanto ignorância e desprezo que os traumas estão até hoje evidentes na personalidade dela, ela já tentou suicídio duas vezes na infância e a mãe agiu com total negligência, até zoando ela e falando que eu não deveria ter nascido.
Desde que começamos à namorar (cerca de 16 meses atrás) ela sempre ficou feliz com minha companhia e sempre que acontecia algo de errado na casa dela eu confortava ela dizendo que "já que seus pais não ligam pra você, eu vou casar contigo e te cuidar" e isso acalmou ela durante muito tempo. Eu juntei um dinheiro da metade do ano passado até Outubro e fui ver ela no mesmo mês ficando uns dias em um hotel, gastei uma grana enorme pra ficar uns 3 dias com ela mas valeu muito à pena, só que depois disso ela ficou sentindo muito minha falta e a situação dela começou a piorar por saber que vive naquele ambiente ruim e poderia viver comigo.
Desde outubro a depressão dela só cresce mais, os pais dela só tentam sabotar nossa situação e dificultar nosso contato (a mãe dela agora desliga o Wi-Fi e ameaça não deixar eu ir lá toda vez que fica descontente com algo pra chantagear a menina), eles proíbem a ideia de deixar ela casar comigo e de deixar ela viajar pra cá ao invés de eu viajar pra lá porque "é muito trabalho ficar indo assinar papel" e isso tem sido uma merda mas até dá pra aguentar.
O ponto principal e o pior de tudo é que minha namorada está numa fase de depressão onde eu não posso mais fazer nada, minha companhia parece não surtir efeito duradouro o suficiente e dia após dia eu ouço ela pela chamada de voz chorando até dormir e comentando sobre suicídio e os pais dela não dão a mínima, eu falo o tempo todo com eles sobre a situação dela e a urgência de um psicólogo e eles só respondem que "precisa ter paciência" e "ela precisa sair mais do quarto" com uma psicofobia nojenta, a negligência tá tanta que de fevereiro pra cá ela começou a ter diversos sintomas não convencionais no sistema urinário e reprodutor e a mãe dela continua negligenciando e falando que ela não precisa de médico "que isso é só frescura pra não limpar a casa" ou coisas do tipo.
Hoje eu falei com o pai dela pra ver se ele deixava eu e ela ficarmos uns dias na casa dele pra poder levar ela no hospital (eu fui ver ela em janeiro e gastei mais de mil reais em hotel, agora só tenho um pouco mais do que o dinheiro da passagem mas ela precisa ir urgentemente no psicólogo e no ginecologista e eu quero levar ela pelo menos na primeira consulta pra ela ter menos medo de ir sozinha) e ele disse que só podia ficar 5 dias, eu perguntei o porquê do número específico e ele falou "é o que dá" sem nenhuma justificativa lógica e esbanjando totalmente desvontade da gente ficar o mínimo de tempo juntos e eu sei que ele não tem obrigação de me dar estadia mas isso me deixou tão PUTO.
Não existe nada que eu possa fazer legalmente em relação à essa situação horrível? Eu sei que quando ela tiver 16 anos teoricamente posso entrar num processo pra casar com ela, mas sinceramente não tenho certeza se vai ficar tudo bem até lá. Eu só quero dar à pessoa que eu amo um lugar descente pra morar onde tratem ela como ser humano, com respeito, compreensão e dignidade e meu deus do céu, tá sendo quase impossível fazer qualquer coisa quando os progenitores não estão nem um pouco interessados em fazer o mesmo. Eu vou levar ela no psicólogo mesmo assim e vou fazer o possível pra cuidar dela mas eu acho impossível alguém ter a saúde mental plena vivendo perto de gente assim.
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2020.03.16 20:34 Upa-upa-puxadote 15 Obras de Camilo Castelo Branco em epub

São 15 epubs. Alguns são romances, outros são peças de teatro.
«A caveira do Mártir» - Publicado em 1876, o romance “A Caveira da Mártir” foi um dos maiores sucessos comerciais da carreira literária de Camilo Castelo Branco, quando ainda era vivo e, tal como muitas das obras camilianas, é baseada em casos reais e históricos. Mas, ao contrário de outros romances, que seguem somente uma história linear, aqui é explorado um entrelaçado de histórias, interligadas pelas acções e domínio da Santa Inquisição na justiça portuguesa e da aplicação da pena capital.
«Mistérios de Lisboa» - Publicado num jornal portuense, em 1853. Enredo: Pedro é um órfão de 14 anos, aluno de um colégio católico. Na sua procura pela identidade dos seus pais vai conhecer a trágica história da vida de ambos. À sua volta, várias histórias, entrelaçadas e interligadas, que atravessam todo o século XIX sobre 40 diferentes personagens: amor, paixão, crime e adultério, onde cada um tem o seu papel no destino dos outros.
«A Queda de Um Anjo - Publicado em 1866, esta história sobre a corrupção moral é uma dos mais célebre romances satíricos de Camilo Castelo Branco e também um dos mais divertidos e cómicos. A temática da história é simples: o poder corrompe; e a ostentação, o adultério e a personalidade de “vira-casacas” são corolários dessa corrupção. Enredo: Calisto Elói, um morgado minhoto provinciano de elevados valores morais é convidado para ser deputado em Lisboa, acabando assim por se deixar corromper pelo luxo e pelo prazer que imperam na capital.
«O Judeu» - Publicado em 1866, a obra “O Judeu” de Camilo Castelo Branco é um romance histórico de homenagem àquele que se tornou na figura representativa dos milhares de judeus portugueses que morreram pela Inquisição entre 1540 e 1794, em Portugal. Enredo: História da vida trágica de António José da Silva, o mais famoso dramaturgo português do seu tempo que acabaria posteriormente por morrer na fogueira às mãos da Inquisição.
«O retrato de Ricardina» - A obra foi escrita em plena guerrilha literária, que opôs os escritores românticos da velha guarda, aos jovens estudantes de Coimbra, que defendiam um novo tipo de literatura na chamada “Questão Coimbrã”. Curiosamente, Camilo escreveu este romance com o intuito de parodiar os movimentos literários do Realismo e do Naturalismo, mas o resultado foi uma obra que faz um fresco da condição da mulher da época, com poucos direito e sem grandes liberdades. Enredo: Bernardo, um jovem humilde, que na infância era pastor e aprendiz de pintor, fica subitamente rico com uma herança que recebe. Após formar-se em Coimbra e voltar à sua terra, na freguesia de Espinho, apaixona-se pela bela Ricardina, filha do Abade da região, um homem poderoso, influente e vingativo que recusa que a filha se relacione com alguém das suas origens. Os dois fogem, sempre perseguidos pelos capangas do pai da rapariga.
«O Morgado de Fafe em Lisboa» - Peça de teatro. Enredo: O Barão e a Baronesa de Caçurrães querem casar a filha, extremamente pretenciosa, com um pretendente rico mas a rapariga não acha nenhum dos pretendentes dignos dela. No entanto quanto mais se descobre sobre a personalidade da mesma, mais se percebe que ela é que não é digna dos pretendentes.
«A Bruxa do Monte Córdova» - Publicada em 1867, esta novela Camiliana tem como pano de fundo a guerra civil que ocorreu entre 1831 e 1834, e opôs os defensores de D. Pedro I e da sua filha D. Maria II, liberais e constitucionalistas, aos defensores de D. Miguel I, os absolutistas e tradicionalistas. Mas a acção principal em si relata-nos uma história de amor trágico que define bem a época conturbada em que se vivia, falando principalmente da falta de carácter dos representantes da igreja, enquanto instituição, que incentivavam o fanatismo e o histerismo religiosos e davam azo a intrigas e convulsões sociais.*
«A Brasileira de Pranzins» - Enredo: Marta de Prazins, chamada de “A brasileira” pois está prometida, pelo pai, a um tio que fez fortuna no Brasil, apesar de ter José Dias como seu apaixonado.
«Amor de Perdição» -A mais popular obra de Camilo Castelo Branco, que lhe conferiu fama, popularidade e que o consagrou como um dos mais relevantes escritores românticos portugueses. Foi escrita, segundo o autor, em apenas 15 dias, no ano de 1861, enquanto esteve preso na cadeia da Relação, na cidade do Porto, por se ter envolvido num escândalo de adultério.
Enredo: Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, dois jovens enamorados de famílias rivais da cidade de Viseu do século XIX, mantêm um namoro proibido com consequências trágicas e mortais, não apenas para ambos mas também para aqueles que os rodeiam.
«Amor de Salvação» - Amor de Salvação, obra de Camilo Castelo Branco, publicada em 1863, é uma novela passional, considerada pela crítica uma das obras mais bem acabadas do autor. Enredo: Amor de Salvação conta a história da relação conturbada entre Afonso e Teodora, que tinham sido prometidos um ao outro, desde o momento que nasceram.
«Coração, Cabeça e Coração» - Romance que conta a história de Silvestre da Silva, em três grandes fases da sua vida. Uma primeira em que ele dedica os seus amores e às “coisas do coração”, às quais ele depois diz ser uma “tolice brava”; a uma segunda fase ao “intelecto” e. finalmente a uma terceira em que afirma render-se aos apelos do estômago até morrer.
«Onde está a Felicidade» - Publicado em 1856, o romance Onde Está a Felicidade? é um retrato fiel da sociedade da época, caracterizada pela importância do dinheiro e do estatuto como forma de promoção social. Trata-se de um romance onde impera a crítica à sociedade, representada pelas figuras de Guilherme do Amaral, que simboliza a riqueza, e de Augusta, que personifica a população de parcos recursos. Enredo: A história da busca da felicidade por parte de Guilherme e Augusta. Ambos apaixonam-se e tornam-se amantes, no entanto, Guilherme abandona a jovem, seduzido pela beleza de uma prima sua e Augusta irá perceber que a felicidade não é fácil de encontrar
«A doida do Candal» - Enredo: Quando Simão Peixoto ameaça a sua irmã Lúcia com o convento para que possa ficar com as heranças que por direito são dela, esta pede ajuda ao seu primo Marcos Freire. Com ajuda de José Osório este consegue retirá-la para casa de umas parentes. Furioso, Simão quer vingança, e tanto provoca Marcos que acaba por se bater em duelo com ele, matando-o. Quando a notícia chega a Maria da Nazaré, com quem Marcos tem um filho, esta enlouquece, ficando conhecida como a doida do Candal.
«O Lobisomem» - Peça de Teatro = Enredo: Uma aldeia localizada nas serras de entre Douro e Minho vive assombrada com as aparições de um lobisomem que ronda as imediações da povoação. Entre o medo e o mistério, resta ao povo tentar descobrir a quem dos vizinhos recaiu tamanha maldição.
«A Sereia» - Uma novela de Camilo muito popular no tempo da sua publicação mas que acabou por ser relegada para o esquecimento dentro da vasta lista de obras camilianas. Enredo: A trágica história de Joaquina Eduarda, cantora de palco a quem chamavam “A Sereia”.
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2020.02.10 15:30 KNWRV Escrevi esse conto e gostaria de um feedback

O funeral
Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2020.01.23 15:10 Call_me_Charlotte Casados, o que vocês fazem para evitar o tédio na vida de casal?

- Namoramos um tempo a longa distância, ou seja, muito tempo de namoro foi passado pelo telefone. Eu faço muito xixi e nossas ligações eram muuuuito longas. Então eu esperava a gente entrar num assunto sério e dizia "quanto à isso, tenho algo muito sério para te dizer" e fazia um certo suspense que fazia ele se cagar e eu completar dizendo que precisava ir ao banheiro e por isso ia desligar. 3 anos depois e agora ele tá mais esperto, então precisei parar com isso.
- Toda vez que eu pedia para ele comprar um pão, ou sei lá ir almoçar em algum lugar lá perto do trabalho, ele nunca tinha um tostão. Pô, deixa 10 conto do salário pelo menos, né? Mas tudo bem, comecei a deixar 20 reais na carteira dele. Toda vez que ele entrava tomar banho (e demora mil anos pra sair) eu ia lá e enfiava 20tão. A partir daí, quando eu falava para ele comprar algo, ele sempre dizia que não tinha grana e eu falava: "tem certeza que não tem nenhum trocadinho perdido aí?" ele sempre surpreso achava os 20 reais e dizia que tinha, mas tinha esquecido. Comecei a achar que eu tinha casado com uma mula que não se tocava que ele nunca colocava dinheiro na carteira e sempre tinha 20 reais, depois percebi que ele sempre soube que eu colocava os 20 reais lá e fingiu que não sabia umas 7 vezes, se fingindo de besta. Check mate, marido.
- Sempre que ele me pergunta onde está alguma coisa, eu não entendo!, eu digo exatamente onde está e ele NÃO OLHA o lugar que eu especifiquei! Tipo "onde está o cortador de unhas?" "na porta da esquerda do hack da sala" "ok" - e segue olhar na porta direita, em cima da geladeira, no escritório, embaixo da cama... Então agora quando ele me pergunta onde está algo eu digo qualquer lugar aleatório e fico assistindo ele procurar em todos os lugares, menos o que eu falei. O divertido é que agora ele tem mais chances de encontrar. Me sinto no programa do Gugu.
- Aleatoriamente eu pergunto se ele não notou nada diferente em mim quando não mudei absolutamente nada e vejo ele suar frio pensando numa resposta.
- Ele faz literalmente as coisas que eu peço. Tipo, "amor traz papel?" e ele me traz uma folha sulfite enquanto gargalha sozinho atrás da porta.

E vocês?? Contem suas histórias aí!
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2020.01.16 01:33 KNWRV O Funeral

Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2020.01.10 16:41 KNWRV Vejam oq vcs acham desse meu conto

O funeral
Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2020.01.05 23:55 jasonx616 Quero a opinião de vcs

Bom a história começa no começo das aulas do ano passado, eu cai numa sala nova diferente da do ano retrasado eu não conhecia ninguém ou bom quase ninguém. Lá por "sorte" estava minha melhor amiga a qual eu tinha conhecido ano retrasado"para facilitar o entendimento do texto vou chamala de Ruby". Ruby era minha melhor amiga ano retrasado Ruby havia perdido o pai e naquela época eu tinha acabado de chegar na escola e fiquei com pena da situação. Pra piorar um cara da nossa sala fez uma piada com a morte do pai da Ruby e isso a deixou muito triste. Eu ajudei ela em tudo ia com ela até a casa dela quando o irmão não podia, perguntava se ela estava bem até entrava em discussões pra ajudar a Ruby" só quando eu concordava que ela estava certa as vezes eu só botava panos quentes na situação". Eu estava visivelmente apaixonado pela Ruby com o tempo eu comecei a me apegar muito a ela e ela no começo correspondia mas no final do ano eu pedi ela em namoro e ela recusou. Falou que gostava de mim como amigo e que não queria estragar as coisas. Bom eu aceitei mesmo gostando dela ainda eu preferi continuar com amigo, ela era minha melhor amiga afinal. Ano passado nos caímos na mesma sala e até ocorreu tudo bem até o fim do 1°bimestre nesse período entrou um aluno novo e eu fui falar com ele, ele era repetente muito mais velho mas parecia meio infantil, eu falei com ele e comentei que Ruby era a minha melhor amiga e que ela era muito bonita e legal TDS gostavam dela e ela brincava de seduzir os homens ( falei isso num tom de chacota fui irônico fiz uma piada e isso me ferrou). Ruby chegou na sala logo dps e eu fui no banheiro quando voltei Ruby me olhou como se eu fosse um monstro. Ela brigou comigo disse que falaram pra ela que eu tinha chingado ela de várias coisas e que tinha falado que ela pegava TDS da escola foi um desastre eu tentei me explicar mas ela não me deu ouvidos. Ela se afastou de mim e me deixou muito triste, dps de um tempo eu me juntei a um grupo diferente e quando parecia TD bem a Ruby veio e começou dar encima de um cara de um grupo que eu estava, ela falava pra ele tudo que falou pra mim deu os mesmos apelidos se aproximou do grupo, eu ficava visivelmente desconfortável com a situação e quando mais eu esboçava isso mais a Ruby se aproximava dele. Até que finalmente a Ruby disse" vamos nos beijar fulano. Aquela altura Ruby já estava no grupo ela praticamente abandonou o grupo que ela estava pra ir no grupo que eu estava. Eles se beijaram eu fiquei na merda abaixei minha cabeça na mesa e chorei baixinho. TDS olharam pra mim e zoaram não vi nada mas deu pra ouvir eles brincando com a situação e a Ruby continuou feliz e sorridente. Isso e outros problemas me levaram a tentar o suicídio, eu falei com a Ruby pelo whatsapp sobre isso e ela disse que não se importava pra ela não faria a menor diferença. Eu tentei não consegui e eu simplesmente dps disso não consegui controlar a minha raiva e comecei a visivelmente tratar mal a Ruby, e o novo namoradinho dela. Eu ainda assim tentei fazer as pazes com a Ruby, com o tempo eu tinha aparentemente conseguido mas sempre senti uma raiva no fundo eu queria que ela pagasse. Com o tempo ela perdeu o interesse no namoradinho e eu zoei ele bastante em um período eu zoei ele tanto que até o fim do ano ele sofreu bullying e passava dias sem ir a escola mas ele sempre foi passivo comigo, nunca se impôs brigou nem ao menos respondeu minhas agressões. Até o meio do ano seguiu assim e então dps das férias algo aconteceu. Ruby mesmo tendo feito as pazes comigo não me tratava como antes e isso me deixava muito irritado mesmo sendo compressível. Até que no começo das férias eu vi algo que me deixou verdadeiramente revoltado, ela foi pra frente da sala e lá apareceu o cara que tinha feito uma piada com a morte do pai dela, e ela o abraçou, aparentemente ela tinha feito as pazes com ele e eu puto revoltei. Daquele dia em diante eu não consegui segurar a minha raiva de forma alguma. Primeiro nesse dia eu comecei a falar abertamente que tava pouco me fudendo pra ela e que ela era uma burra incapaz que só tinha um rostinho bonito. Fiquei tacando borracha na cabeça dela e ela e a sala inteira ficaram sem entender nada. Dali em diante eu fui o mais escroto possível com a Ruby. Todo dia em fazia piadas com a aparência dela todo dia tratava mal qualquer um que se aproximace dela fiz amizade com a sala toda só pra tratar ela mal. Falei pra sala toda a história e a piada que fizeram a morte do pai dela, e a sala inteira riu fiz questão das amigas dela ouvirem. Falava que ela era uma piranha um poço de aides que ela era marmita de todos os noias da escola. Em uma festinha da sala em que ela levou os copos pras bebidas eu disse que não tocaria em algo vindo daquela imunda idiota. No fim da festa fiquei brincando de tiro ao alvo usando a cabeça dela como alvo. Joguei támpa de caneta lápis tudo e no final na hora de ir embora joguei o papel engordurado na cabeça dela. Eu fazia isso e TDS sabiam disso e ninguém falava nada continuavam falando comigo e ninguém defendia ela, além das amigas no caso 1 amiga pq as outras na realidade não se importavam com isso. Ela ficava alguns dias sem ir a escola perdia provas e durante muito tempo ficava só deitada na mesa aparentemente triste. Um dia o pessoal estava brincando de verdade ou desafio e eu fui convidado afinal era amigo de quase todos. Meu desafio obviamente era algo relacionado a ela. Era me ajoelhar na frente dela. Eu fiz gravaram e eu mesmo postei no Facebook tirando sarro da situação insultei ela dei um jeito brincar com a situação. Até um certo tempo foi isso eu fazia de tudo pra que ela se sentisse mal haviam dias em que ela estava feliz e eu entrava no meio e ela ficava triste quanto mais triste ela ficava mais eu ia me aproximando. Até que um dia em que eu comentei sobre a piada com o pai dela ela me chamou no WhatsApp e falou pra que eu parasse que ela não merecia aquilo que ela não era responsável pela minha tristeza e que se queria que tudo se resolvesse era só conversar com ela. Eu tentei conversar com ela no outro dia mais não adiantou muita coisa porém eu parei de tratar ela mal. Ainda queria me vingar mais mas acho que tava exagerando, continuei sem falar com ela e fim da história. Acham que oque eu fiz foi certo? Errado? que ela tava errada? Que todos estavam errados?. Dêem suas opiniões
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2019.12.24 05:48 lobosolitariobr Um amor fora de contexto

Tudo começou quando um amigo meu me chamou pra sair e disse que ia me apresentar uma amiga, peguei o carro e fui no ap dela com ele chegando lá eu encontrei com ela, a menina mt linda e simpatica cmg.. ficamos conversando e ela queria um lanche, meu amigo foi com ela comprar e eu fiquei com a outra amiga dela conversando enquanto eles não voltavam, a outra amiga dela falando varias besteiras dizendo q eles deveriam ta é fudendo e eu sempre desviando dessas conversas pois não queria julgar a menina, até ai beleza eles chegaram com os lanche e como já tava tarde eu ralei.. passou umas 2 semanas ela me mandou msg dizendo pra mim ir pra la pra gnt conversar e disse q tava com uma amiga e pediu pra mim leva um amigo, chamei um amigo meu ele fecho, fomos parar de novo no ap dela, só que dessa vez eu não aguentei eu tinha que ficar com ela, ficamos conversando uns 10 minutos no ap dela e depois resolvemos sair pra rua pra um local perto da onde ela morava, nisso meu amigo quis passar em casa antes pra por uma roupa, suave peguei meu carro e levei ele na casa dele, as duas vieram juntos, ai a amiga dela subiu com ele pra trocar de roupa e ela ficou comigo dentro do carro.. dentro do carro ela começou me olhar com uma carinha de quem queria sexo, mais como eu ainda não tinha beijado ela, fiquei um pouco indeciso do que estaria acontecendo ali, quando fui dar o beijo nela ela vira e me diz que não me beijaria, pois depois do ultimo relacionamento dela ela não queria se prender com mais ngm, mais a fdp queria me dar a bct e acabei comendo dentro do carro.. passou uns 20 minutos o meu amigo voltou com a menina e fomos pra rua, ficamos um tempo na rua e depois fui deixar ela na casa dela. Passou um tempo a gnt começou gostar muito um do outro, só que eu não queria nada com ela pois eu já tinha 22 e ela 16 não queria um relacionamento com uma mina tão nova pois sei que é dor de cabeça, chegando sabado ela me mandar msg dizendo pra mim ir pra uma festinha junina da igreja que acontece todo ano, blz fechei com ela e fui, partir com um amigo meu chegando lá eu não tinha encontrado ela, fiquei parado no carro esperando ela aparece ai do nada brota uma garota dizendo q era amiga dela e perguntou se era eu q tava ficando com ela, eu respondi q sim, ai ela tudo bem, e dai ela soltou q queria pegar alguém, e acabou me beijando no carro mesmo, eu n fiquei com ressentimento pois n tinha nada com ela, sendo que até meu amigo pegou tbm depois de mim, até ai tudo bem, sair do carro e fui procurar por ela, encontrei ela puta chorando dizendo q amiga dela tinha ficado comigo e eu n disse nada pra ela, puxei ela e levei pra fora do evento e disse q n tinha nada com ela e a amiga dela que quis ficar comigo e não neguei, até ai tudo bem ela me pediu uma carona pra ir pra casa, fui deixar ela em casa no caminho de casa ela pediu pra mim parar em algum local pra gnt conversar, acabei parando em uma rua perto da minha casa, quando parei o carro ela começou a chorar de novo, perguntei o porque e ela disse q era por causa dos pais dela e q não queria falar nada sobre, fiquei puto e deixei ela em casa. até ai eu não tinha sentimento nenhum por ela mais o pior de tudo aconteceu, passou um tempo a gnt não se via mais e nem trocava msgs, eu tinha definitivamente esquecido dela, ai do nada a mina aparece de novo na minha vida, só q ela aparece agora como minha cunhada meu irmão sabia que eu ja tinha ficado com ela e perguntou pra mim se tinhar algum problema eu respondi que não.. mais conforme o tempo passando a gnt começou a sair juntos e eu sempre sem namorada.. em um belo dia estava indo pro baile e acabei encontrando meu irmao e ela no caminho e fomos pro baile, no baile já embrasando decido fica na frente dela pra ninguém ficar caindo em cima dela, fiquei dançando na frente dela, e do nada eu sentir umas unhas na minha costas e era dela, não falei nada só deixei acontecer ela me arranhando enquanto eu dançava no baile, até ai tudo bem resolvermos ir embora, na época meu irmão ainda morava comigo ela veio junto pra casa, eu já tava sabendo a intenção dela e ela a minha, chegando em casa fui pro banheiro tomar um banho pra dormir, quando chego no baile me deparo com ela se olhando no espelho, ela me ver no reflexo do espelho e vira com uma cara vermelha cheia de amor pra mim, não me aguento e acabo pegando ela dentro do banheiro enquanto meu irmão estava no quarto, até ai tudo bem peguei ela deixei ela no chão do banheiro traumatizada com aquilo kkk, vou pro meu quarto e fecho a porta.
liguei o pc e fui jogar um lolzin, eu jogando ouço 2 batida na porta do meu quarto, era ela perguntando o que tinha acontecido no banheiro, eu disse q n aconteceu nada, e ela ficou insistindo em dizer q aconteceu, o quarto do meu irmão era do lado do meu, mandei ela voltar pro quarto do meu irmão e esquece pois n tinha nada, ela voltou pro quarto dele passou uns 10 minutos ela voltou no meu quarto de novo dizendo que ele ouviu tudo e q ele estava chorando, eu dizendo pra ela q ela tava maluca e q n tinha acontecido nada, do nada ele aparece no meu quarto e fala pra ela volta pro quarto pois n tinha acontecido nada. fui dormir no outro dia eu não conseguia esquece daquilo e como tinha ocorrido.. passou um tempo ela me mandar msg no whatsapp perguntando pq eu n falei a verdade, eu disse q n queria estragar o relacionamento deles, até ai beleza ela começou a ficar escrevendo escrevendo, no final acabamos marcando pra se encontrar na praia pois n aguentávamos de saudade um do outro, fui encontrar com ela na praia a noite e ficamos de novo, passou um tempo ela acabou contando pra ele q ficou comigo na praia e que foi eu q fui atras dela, meus pais ficaram sabendo e disseram q não queria ela mais aqui em casa, meu irmão n me disse nada ele resolveu ir morar com ela, passou um tempo eles se mudaram aqui pra perto de casa, e acabamos saindo de novo, e assim tem sido eles saem me chama eu vou e acabo ficando sempre com ela, sempre a gente da um perdido e acaba ficando, parece que o destino ta me fodendo, pois não aguento ver ela com ele, ai a ultima ela descobriu q ele tinha traido ela com 5 meses de namoro, logo agora q eu queria dar um ponto final nisso pois n acho certo ser amante da minha cunhada, ai ela me conta tudo e a gnt acaba ficando de novo, e ta sendo assim sempre quando nós sair, ela dar um jeito de me levar no banheiro pra gnt ficar.. A gnt só tem ficado, mais eu sei que em colque momento se a gnt ficar sozinhos dar merda.. mais agr eu fico indeciso, pois ela quer terminar com ele, mais eu a forço ela dizendo pra ela não terminar, pois se ela terminar ela vai ficar sem mim também. e assim a gnt ta levando a vida. Eu não conto pro meu irmão pois esse é o papel dela q tem q contar, pois se eu contar ele não acreditaria em mim igual as ultimas vezes.
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2019.12.14 15:59 m00n_0 Amizade com ex

Terminei eu namoro há cerca de cinco meses e desde então venho (tentando) manter uma amizade com a minha ex. O problema, é que não é recíproco. Não acho que superar términos rápidos seja uma coisa ruim, insensível ou demonstrativo que nunca houve amor no relacionamento, mas a minha ex pensa que sim. Como eu superei e segui em frente extremamente rápido, diariamente ela me bombardeia com mensagens como “Você realmente gostava de mim? Você estava confusa. Você nunca me amou. Você não sabe o que sente. Eu nunca fui importante. Você já está com outra pessoa? Você gosta de outra pessoa?”. É extremamente cansativo ser questionada e invalidada sempre. Eu tento ser madura e compreensiva, apoiar quando ela fica mal e chora pelo nosso término. Tento não julgar e não desmerecer a dor. Contudo, como eu assumi o papel de madura, ela assumiu o infantil, sempre fazendo birra sendo controladora e voltando nesse mesmo assunto pra dizer que eu sou péssima por ter terminado com ela. Eu não consigo ser grossa justamente por tentar ter empatia pelos sentimentos dela, então ela passou a despejar todas as frustrações em cima de mim, me culpando. Eu acabei me deixando levar e realmente me sinto uma péssima pessoa na maior parte do tempo. Não tenho sequer coragem de olhar pra outras pessoas mesmo estando solteira justamente por medo da reprovação dela e das brigas que isso pode desencadear. Eu não sei o que fazer. Tento insistir um pouco mais na amizade esperando que ela supere (apoiando, entendendo que ela vai ter altos e baixos), ou me afasto gradualmente pra tentar me priorizar?
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2019.07.27 11:13 EuSoQueroQue Para vc que amei

(Escrevi essa carta pensando em não mostrar para ninguém. Mas não teve o efeito que eu esperava. Quem sabe se outras pessoas lessem)
Oi, tudo bem?
Menos de uma semana atrás eu te mandei uma mensagem sobre um filme que assisti. Dessa vez vc respondeu. Foi educada, mas não continuou a conversa. Para mim foi o suficiente para achar que desta vez a msg tinha alguma chance de virar uma conversa, então fiquei tentando pensar em como puxar assunto. Não quis usar perguntas pq não queria fazer vc se sentir obrigada a responder. Pensei em te contar sobre a minha vida, que mudou bastante nos últimos 2 anos.
Mas achei que esse seria um bom assunto para quando finalmente conversarmos em pessoa. Acabei escolhendo um elogio, a maravilhosa habilidade que vc tem e sempre me deixou com inveja foi a capacidade de ter assuntos e manter uma conversa saudável. Mandei essa mensagem,
Agora acho que vc pode estar interpretando como se eu estivesse sendo "passive-aggressive", como que reclamando de vc ter sido "apenas" educada e não continuada a trocar msgs.
Eu odeio que a parte de mim que tenho te mostrado nos últimos 10 anos foram de msgs nos momentos que estive mais triste, solitário ou fragilizado de alguma maneira. Toda vez que paro para pensar, sei que estas msgs só servem para te afastar ainda mais de mim. Mas, acho que saber que vc está do outro lado, ainda que não me ouvindo, tem me feito bem.
Anteontem te mandei outra mensagem. Desta vez mais parecida com uma conversa saudável. Contei que mudei de emprego, de cidade, perguntei como vc está. Dessa vez o resultado foi muito diferente. Não quanto a sua resposta, mas que poucas horas depois de enviar a msg a minha "crise" atual melhorou bastante. Ao ponto de achar que eu estava bem, pelo menos até a próx crise daqui 2 ou 4 anos.
Foi pensando nesse bem estar que resolvi escrever esses sentimentos. "Talvez seja o processo de transformar seus sentimentos em palavras que tenha tido o efeito benéfico." Decidi que, da próx vez que eu realmente precisasse dizer alguma coisa, escreveria neste papel. Não demorou para meus pensamentos estarem cheios de novo.
Assisti um vídeo sobre relações abusivas, e me corta o coração identificar atitudes minhas como as de um namorado abusivo. Eu me odeio por todo mal que já te fiz e nem pedi desculpas. (...) Agora me lembro que eu cheguei a me desculpar por ter te ignorado naquele churrasco, mas o verdadeiro peso daquelas ações só entendi agora, que o vídeo citou explicitamente que ignorar seu parceiro em um ambiente público é uma atitude abusiva e altamente prejudicial.
Hoje eu entendo que usava o silêncio como uma arma contra você. E só posso imaginar o quanto isso te machucou.
(...)
Passei alguns minutos discutindo comigo mesmo se deveria escrever pensamentos que provavelmente irão te afastar ainda mais de mim. Escrevo com o sentimento de te mostrar, mas sem intenção real de te enviar ou mostrar esse caderninho. Por isso mesmo não faz sentido não ser honesto com o papel. Oras, ser menos honesto e escolher quais pensamentos escrever são resquícios do comportamento manipulativo meu. Como se mesmo uma carta de desabafo, que nunca será mostrada devesse ser escrita com a intenção de te convencer a conviver de novo comigo.
Até pq se eu não consigo expressar meus sentimentos para um pedaço de papel, como poderia expressá-los para você?
Os pensamentos, que meu lado medroso queria deixar de fora desta carta, era que se eu consigo hoje identificar atitudes tão tóxicas em como eu era quando estávamos juntos, provavelmente existiam outros que eu nem entendo como problemáticos. Pensei também que, quando vc me ignora nas estúpidas msgs que envio, está apenas se protegendo de uma pessoa... tóxica? abusiva?
Eu já não sei o quanto estou sendo realista ou apenas sendo auto depreciativo. Esse comportamento provavelmente é outra característica abusiva minha.
Não sei se chegou a ver o filme "before the sunset", imagino que ainda não. Passou menos de 1 semana desde que te disse para ver.
Eu gostaria muito de te dizer que quis te recomendar o filme principalmente por 2 motivos:
O tom da conversa que os personagens tem. Como se o tempo que passou não fizesse diferença nenhuma e eles fossem bons amigos durante todos estes anos. Queria que vc lêsse as minhas msgs para vc com esse tom, de maneira meio leve, meio pesada, mas principalmente honesta.
Eu sei que, em termos de voltarmos a ficar juntos, não entrar em contato e deixar o acaso nos juntar seria mais efetivo. Mesmo que demorasse muitos anos. Mas só de pensar em isso não acontecer eu sou tomado por uma tristeza, um sentimento de vazio.
O segundo ponto do filme que queria muito conversar com vc, é quando a mulher diz: "I was fine until i read your book"
Com ctz vc já percebeu que isso acontece bastante comigo. A maior parte das vezes eu me lembro de vc com saudades e carinho, e um gosto bitter sweet que fica na boca. As vezes, como essa de agora, a saudade fica demais. Eu não me controlo e acabo mandando alguma msg torcendo que encontre vc em um momento parecido, e consiga transformar a distância entre nós em uma conversa como a do filme.
MAS, eu nem sei se vc tem a mesma saudade que eu sinto por vc. Quando penso em como fui com vc, imagino que fui apenas uma fase ruim, que vc seria mais feliz se não tivesse me conhecido. Ao mesmo tempo, eu me recuso a acreditar que seja possível sentir tanta saudade de alguém que não sente a sua falta.
Acabo me convencendo que a única diferença é que vc tem um auto-controle melhor que o meu. Que as suas crises de saudades acontecem, quando alguma música ou filme te lembram de mim, mas que vc não me procura de maneiras bobas como eu faço com vc.
Me lembro de uma vez que vc me pediu uma receita, que fazia quase 9 anos que não comia aquilo. Eu devo ter te respondido de algum jeito ruim, pq quando te perguntei dos cookies que vc fez para mim um dia, não me respondeu mais. Essa vez eu fiquei muito confuso. Inicialmente achei que vc queria conversar como amigos apenas, mas quando não me respondeu pensei que vc continuava com aquela filosofia boba de "ex bom é ex morto". Fiquei com raiva. Vc me ignorava quando eu tentava algum contato, mas me pedia coisas qdo tinha algo a ganhar.
Quando a raiva passou, pensei que poderia ser saudade que te fez mandar as msgs, e não sabia o que fazer com essa possibilidade. Eu queria que fosse verdade, como se uma confirmação que eu fui importante para vc como vc foi para mim.
(...)
Agora, escrevendo, me lembro de vc comentando que eu pedi um tempo no namoro "do nada" ou algo do tipo. Metade dos motivos eu tenho ctz que já tinha reclamado para vc antes, e vc não fez esforços para melhorar. Era o jeito como vc tratava seus amigos homens, dando muita liberdade, inclusive quanto a contato corporal, de abraços por trás e cócegas. Essas atitudes me machucavem tanto nos meus ciúmes quanto nas minhas inseguranças. Aquele dia que eu tentei fazer cócegas em você e não consegui me incomoda até hoje. Ver um amigo seu te fazer cócegas, o jeito que vc ria, acabou comigo naquele momento.
A segunda metade de pq eu quis das um tempo, essa é a parte mais difícil de confessar. Gostaria de te dizer em pessoa, mas muito provavelmente eu nunca vou ter a oportunidade.
Quando a gente já não estava tão bem juntos, apereceu alguém.
Era uma mulher muito bonita e simpática. Acho que tanto eu como ela sentimos uma conexão, daquelas que vc sabe que a outra pessoa tb tem?! Bom, começamos a conversar mais. Me sentir próximo de alguém no mesmo momento que me sentia distante de vc me confundiu bastante. Hoje eu entendo que foi apenas um "crush" e que a gente não controla com quem vai se sentir atraído. Mas na minha cabeça isso era inaceitável. Sentir-se atraído por outra mulher era incompatível com a minha definição de amor.
Se eu tivesse na época o pouco de maturidade que tenho hoje, eu saberia que esse sentimento não significava nada. Que não havia necessidade de passar nenum dia longe de vc.
Lambrar dos meses seguintes, quando tínhamos separado mas não de verdade, Vc quis voltar a ficar juntos, eu não quis. Depois eu quis, vc não. Aí inverte mais uma vez, e depois outra. Como se fosse um problema de desencontros ou timing.
Mesmo quando estávamos namorando, toda vez que acontecia a menor das brigas eu demorava para processar meus sentimentos. Até lá vc já tinha se cansado de tentar me animar, tentar me ajudar a me abrir mais. Então, quando eu finalmente superava o motivo inicial da briga, vc estava agora chateada comigo por ter sido tão frio e distante durante a briga.
Talvez se vc tivesse mais paciência com a minha demora em digerir emoções. Talvez se eu fosse mais maduro emocionamente. Eu já não sei mais.
Só sei que é tarde demais para pedir desculpas. Eu imagino que vc me veja como o ex abusivo, que ainda tenta entrar em contato apenas para ser manipulativo. Mas eu só quero que vc saiba que eu estou pensando em vc. Que eu te vejo como a pessoa mais importante a passar na minha vida até hoje.
Eu só quero que vc saiba que eu te vejo como no filme, que um dia vamos nos encontrar, sem horários, sem relacionamentos, e que nesse dia nós vamos conversar natural e honestamente, e se não for para ficarmos juntos, que pelo menos eu consiga te pedir desculpas.
Desculpas por todas as lágrimas que eu te fiz derramar.
Desculpas por todas as brigas que não deveriam ter existido.
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2019.07.09 12:18 lipherus Íbis — Capítulo I

Bom dia, é a primeira vez que escrevo em primeira pessoa e gostaria de opiniões. =)
“A voz dos deuses e escolhida de Thot. No começo, era apenas uma Oráculo. Depois, uma bruxa queimada na fogueira do deus pagão. Espírito vagante sem salvação. E agora, protegida pelo crepúsculo Retorna aos braços d’Aquele que sempre a amou. Sob as asas d’Ele, ela se abrigou. E descansou.”
O pequeno e singelo poema cortou o silêncio do salão. Eu estava trêmula e ofegante, pois estava atrapalhando a palestra do meu professor e a grande oportunidade de sua carreira. Os estudiosos olhavam para Heru e depois para mim, à espera de alguma cena dramática que não aconteceu. Ele apenas desceu do palanque e me alcançou, sorrindo e igualmente trêmulo ao tomar o papel de minhas mãos. Murmurou agradecimentos e disse estar surpreso com a tradução, porque aquelas palavras deixavam explícitas que os antigos egípcios eram capazes de prever o futuro. Prometeu uma conversa sobre o papiro depois e pediu que eu me retirasse, mas não sem antes me agradecer de novo. Ao fechar a porta, explodo em lágrimas emocionadas e cansadas. Traduzir o poema foi um trabalho árduo de quase quatro anos, para no final descobrir que Thot havia se apaixonado por uma mortal e enterrou seu corpo em uma tumba sem glamour. Ele queria que sua amada permanecesse anônima, mas que ainda soubessem a quem pertencia. Ela não tinha um nome e sequer corpo, todavia sua existência estava cravada nas paredes de pedra do sarcófago. Levanto-me orgulhosa e volto para o laboratório, à procura de mais pistas sobre os amantes. Havia algo que ainda não tinha visto nas marcas e, mexendo em alguns pertences, um pingente em forma de meia lua cai no chão. Não sou perita em metais preciosos, mas sei que seguro algumas boas gramas de ouro puro. Procuro por escritos no verso da peça, e nada encontro, salvo os hieróglifos que remetiam a Osíris e Thot. Um presente para o deus do submundo? Depois de catalogar o colar, volto minha atenção aos textos até sentir dor de cabeça e sentar na cadeira. — Nailah, o professor Heru te chama no salão de convenção. Engulo em seco e vou até ele, esperando uma bronca por ter interrompido a palestra. Porém, ao entrar, fui recebida por salvas de palmas fervorosas. Ele me abraça e pede que explique aos demais sobre a descoberta, já que o mérito da tradução é todo meu. Sinto um misto de vergonha e emoção, porque Heru não tomou os créditos para si e deixou que eu, uma mera assistente, falasse aos melhores profissionais do mundo por horas a fio. Ele ficou ao meu lado para explicar alguns termos que não conheço, simplificar perguntas e traduzir algum outro idioma que não entendo. Ao terminar, pude respirar. Estou tão cansada que é difícil manter os olhos abertos e pensar, mas eu ainda preciso falar com ele. Despeço dos outros por alguns minutos e Heru me abraça de novo, sugerindo um jantar antes de irmos para casa e dormir. Aceito e nós fechamos o laboratório depois de pegar algumas coisas. "Sob as asas d’Ele, ela se abrigou.” É engraçado como essa frase ecoa na minha cabeça quando estou andando lado a lado com Heru. Eu o conheço há quase dez anos e nunca deixei de me sentir protegida e iluminada por sua presença. Ele é alto e imponente, com a pele tão preta que é quase avermelhada, e olhos espertos e pretos. Mas, basicamente, Heru Monterrey é um cachorro grande e bonachão que ladra e não morde. É muito fácil deixá-lo magoado e à beira de lágrimas, se quer saber. E eu amo ver esse lado sensível e frágil do meu professor, pois o torna humano e acessível. Ninguém imagina que um pesquisador de renome como ele é coração mole. — Eu encontrei isso. — entrego o colar em suas mãos. — Estava perdido no meio dos papéis. Parece que é uma oferenda a Osíris e Thot. — Ou uma oferenda de Thot para Osíris? Coço a cabeça e suspiro. — Não tinha pensado nisso. — confesso. — Nailah, você está esgotada e eu acho que deva tirar umas férias. — ele toca no meu rosto. — Eu estou pensando em dar um tempo também, podemos viajar juntos. — Quem convida é quem paga, viu? — empurro ele com meu ombro e sorrio. — Seria uma bênção poder dormir até tarde. — Pode ficar com a lua. Pego o colar e olho pra ele, chocada. Sabe-se lá de quando é a oferenda e Heru estava entregando casualmente pra mim, como um pingente comprado numa loja qualquer. Abro a boca inúmeras vezes, mas nenhuma palavra decente sai dela e só me limito a levantar as tranças pra facilitar o trabalho dele. Heru me julga por um tempo, ajeita e mexe no colar até deixá-lo bem em cima do meu coração e ficar satisfeito. — Tem certeza? — murmuro. — Isso é da sacerdotisa e não quero que Thot venha me assombrar. — Se Ele deu pra amada d’Ele, acho que não ficará bravo se eu der pra minha, não acha? Abaixo os olhos, subitamente tímida. Nós sempre brincamos com nossos colegas, que consideravam-nos namorados, mas ele nunca falou tão sério quanto aquele momento. Mordo meus lábios e seguro sua mão, sem dar resposta, mas deixando claro que se aquele é o sentimento dele, então é recíproco. Às vezes palavras não ditas fazem mais efeito do que aquelas expressadas aos quatro ventos. — Comida japonesa? — Heru pergunta para quebrar o gelo. — Depois umas doses de anti-histamínico pra não morrer de alergia? — Combinado. Saber que ele é apaixonado por mim tanto quanto sou por ele fez um bem danado pra minha auto-estima. Se antes e em algum momento da minha vida achei que não era bonita ou capaz, estava completamente enganada. Ouvir dos lábios dele que minha inteligência e devoção foram fatores cruciais para que ele se interessasse, tornou-me tão inchada quanto um balão. Depois, Heru começou a enumerar minhas qualidades físicas e só parou quando eu estava com a cara quente e prestes a surtar. Eu sou brasileira e me orgulho disso. Meu país tem os problemas dele, assim como os Estados Unidos também têm, mas nunca pensei que estudar na Unesp ia me levar até onde estou. Lembrei das noites acordada estudando infindáveis textos, das vezes que quis desistir e da minha felicidade por ter sido aprovada na faculdade que ele dá aula. E passei a amar meu corpo em forma de pera, os cabelos trançados e coloridos e, acima de tudo, a cor da minha pele. Antes tinha um grande tabu comigo mesma, por ser preta e ter uma posição de destaque, mas conforme fui aprendendo na faculdade e com a vida, percebi que estar ali é um mérito do meu esforço triplicado. No final da noite, eu e Heru transamos e dormimos juntos. Foi o momento em que eu o vi mais vulnerável, conheci cada cicatriz de seu corpo, os problemas que tinha, as marcas... Tudo. Ele se entregou completamente e assim também fiz, mostrando-lhe as feridas que tenho da época em que me afundei em depressão e cortei meus braços e pernas. — Bom dia. — ouço seu preguiçoso resmungo enquanto ele aperta minha barriga. — Agora posso morrer em paz. — Quer parar com isso? — começo a rir e abro meus olhos. — Bom dia. — Eu sempre quis apertar sua, como é que você chama? Pança. — seu português falho é particularmente adorável. — Eu amo essas dobras, sabia? — Heru! Para, sua mão tá gelada! — Tá bom, tá bom. Permissão pro abraço? — Concedida, senhor Monterrey. Enquanto ele toma banho, vou preparando o café da manhã. É inconsciente, mas eu checo minha barriga e conto as dobrinhas, três no total, pensando em como Heru pode achar aquilo interessante. Ouço seus passos ecoando pelo corredor e me viro para olhá-lo, namorando a cena do homem enrolado na toalha e molhado ainda. Ele se aproxima e ajeita a lua, jogando as tranças sobre meus peitos para tapá-los e evitar que eu pegue mais friagem. Seguro sua mão em meu rosto e fecho os olhos, sorrindo como a trouxa que sou. — Vai querer viajar? — Onde pretende ir? — roubo um selinho dele antes de servir a mesa. — Não vai entregar o artigo científico sobre a tradução? — Não está escrito em lugar algum que sou obrigado a trabalhar durante minhas férias. — ele dispara. — Pensei em alguma praia, sei lá. — Negão desaforado. — acerto a colher de pau na cabeça dele. — Praia é muito clichê e eu não sou muito fã do frio. — Patroa difícil de agradar, viu? Sento ao seu lado e começo a rir. Ele está tão à vontade que até parecemos casados há eras, e eu só sinto que vou desmanchar de felicidade. Nós conversamos um pouco mais sobre a tradução e Heru corrige o inglês, reclamando do quanto sou ruim para escrever. Tal afirmação me ofendeu um pouco, já que escrevo fanfics durante minhas folgas e nem formado nisso ele é. Começo a julgá-lo em silêncio e ele percebeu que tinha me magoado, em seguida pediu desculpas atrapalhadas e disse que ama minha escrita. — Como você imagina Thot de personalidade, Nailah? — Meio parecido com você, mas muito mais apaixonado pelo trabalho. Ele foi um carinha muito ocupado, até ajudar Osíris no submundo ajudou. — acendo meu baseado e deito no sofá enquanto Heru escreve no computador. — Curou o olho de Hórus quando Seth arrancou, depois ensinou magia para Ísis poder reviver o marido, luta contra Apófis quando Amon-Rá traz o sol... Tudo isso e ele ainda fez o calendário e desenvolveu os hieróglifos. — Você tem uma admiração enorme pelos deuses, hum? — A mitologia egípcia é linda, se me permite dizer. Tudo é tão conectado e diferente ao mesmo tempo... A gente não sabe nem um terço do que eles acreditavam e criavam. — E a sacerdotisa? — Não tenho uma imagem dela. — ofereço o cigarro pra ele. — Mas deve ser alguém de personalidade parecida com a de Thot, porque ela pegou o cara pelo colarinho mesmo. Uma pena que não seu nome em lugar nenhum, ia ser muito interessante conhecê-la melhor para entender como funciona esse lance de deuses e amores mortais. — Você viu isso? Sento no colo dele para ler o artigo de um colega nosso, o qual afirmava que Sekhmet e Anúbis tinha um relacionamento secreto. Para mim e meu conhecimento, a afirmação é errada pois eles eram deuses sem sintonia alguma. Ela é a deusa da guerra, tão furiosa que Rá precisou enganá-la com vinho para acalmar seu frenesi sangrento. Já ele parece ser mais pacato e melancólico, servindo fielmente ao propósito do julgamento da pena e à proteção da mumificação. Parecia impossível imaginá-los juntos. Ao terminar de ler, porém, comecei a ter minhas dúvidas sobre o que conhecia até então. — Será que existe algum documento que prova essa teoria? — Antes de Osíris ser quem é, Anúbis tinha o mesmo papel que ele. — Heru contestou ao soprar a fumaça na minha nuca. — Se Sekhmet matou os homens através de sua ira, é bem provável que tenha o encontrado durante a caminhada. — Mas tem uma teoria que diz que Sekhmet é uma face de Hathor e Bastet... Será? — Em Mênfis, ela foi esposa de Ptah e mãe de Nefertun até Mut e sua Tríade tomar lugar e ela passar a considerada como a própria Mut. Nossas informações são bem escassas e temos várias ideias do que pode ou não ser. Cada região tinha seu próprio mito, quem sabe o Richard esteja certo e apenas olhando para outro lugar que não vemos? Deixamos a discussão pra lá quando pegamos fogo levados pela maconha. Quando paro pra pensar nisso, me sinto um pouco culpada por levá-lo ao mau caminho, apesar dele ser bem mais velho que eu. Mas a erva funciona como uma válvula de escape para nós e não é algo que fazemos sempre, resumindo nossas brisas às escavações e trabalho. Pela primeira vez desde que fazemos isso, é que nos preocupamos em elevar a coisa para um nível mais pessoal e físico. Eu namoro o rosto distraído dele e lembro de tratar os arranhões que deixei em suas costas, ouvindo-o dizer coisas em árabe que não fazia nem questão de traduzir. Heru levanta-se num supetão e vira o meu colar, anotando os hieróglifos em um papel improvisado e resmunga ao voltar a deitar. Já sei que tenta entender a oferenda e pronuncia as palavras em sequências variadas, até fazer sentido. Toco em seu lábio para fazê-lo se calar e me aninho em seu abraço. Só hoje, querido, não falemos em trabalho. Roço meu nariz por seu rosto quadrado e reclamo da barba áspera, mas sinto-me protegida por seus braços e mãos sempre geladas. Heru beija a minha testa e desenha com os dedos na minha bunda, me fazendo rir. Ele se lembra de me agradecer pela tradução de novo e mais outras vezes, reforçando o quão honrado se sentiu por me ter como sua assistente, amiga e agora parceira. Confessa que estava a um passo de desistir do texto e eu, novamente, rogo-lhe que não falemos de trabalho. Mas meu amado professor não está contente e me implora para que façamos um artigo sobre Thot e sua amante ao voltarmos de férias.
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